Estoques comerciais de petróleo vão se esgotar em poucas semanas, alerta IEA

A liberação de reservas estratégicas adicionou 2,5 milhões de barris de petróleo por dia ao mercado, mas elas “não são infinitas”, diz Fatih Birol.
18 de maio de 2026
brent petróleo
Schmucki/Pixabay

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, alertou ontem (18/5) que os estoques comerciais de petróleo estão se esgotando rapidamente. Segundo ele, restam apenas algumas semanas de reservas, devido aos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz para a navegação.

A liberação de reservas estratégicas adicionou 2,5 milhões de barris de petróleo por dia ao mercado. No entanto, o diretor da IEA reforçou que essas reservas “não são infinitas”, informam Reuters e Valor. De acordo com Birol, o início das temporadas de plantio na primavera e de viagens de verão no Hemisfério Norte acelerará ainda mais a redução dos estoques, à medida que cresce a demanda por diesel, fertilizantes, combustível de aviação e gasolina.

Na semana passada, no “Oil Market Report” deste mês, a IEA afirmou que a demanda global de petróleo deverá cair quase 500 mil barris diários neste ano. Ainda assim, a oferta do combustível fóssil ficará abaixo da demanda total, à medida que o conflito impacta a produção de petróleo no Oriente Médio, enquanto os estoques são consumidos em ritmo sem precedentes. Anteriormente, a agência havia previsto superávit no mercado neste ano.

Por isso, Financial Times e Valor afirmam que o mundo se aproxima de uma nova e mais perigosa fase da crise energética desencadeada pela guerra. Mais de 80 países já implementaram medidas emergenciais para proteger suas economias, mas os governos estão intensificando suas respostas diante de um ponto crítico iminente: operadores do mercado alertam que os preços do petróleo poderão disparar novamente caso Ormuz continue fechado.

Economista-chefe da gestora de fundos Aberdeen, Paul Diggle conta que sua equipe agora analisa um cenário em que o barril do petróleo tipo Brent pode saltar para US$ 180, provocando uma disparada na inflação e recessão em países europeus e asiáticos. “Estamos levando esse desfecho muito a sério. Estamos vivendo no limite.”

Havia a expectativa de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedisse ao presidente da China, Xi Jinping, para reforçar a pressão pela abertura de Ormuz. No entanto, segundo a Bloomberg, isso não aconteceu. “Não estou pedindo nenhum favor, porque quando você pede favores, você tem que retribuir. Não precisamos de favores”, disse Trump – o principal causador de toda a crise vivida pelo mercado de petróleo no momento.

Enquanto isso, as idas e vindas do “agente laranja” em suas ameaças contra o Irã continuam mexendo com os preços do petróleo. No fechamento de ontem, o barril do Brent para entrega em julho subiu 2,6%, cotado a US$ 112,10, enquanto o WTI para entrega em junho subiu 3,1%, cotado a US$ 108,66 por barril, segundo o Valor.

  • Em tempo: A disparada do preço do petróleo por causa da guerra no Oriente Médio, com impacto direto no valor do combustível de aviação, levou as aéreas no Brasil a ajustarem seus planos. Em 2 de abril, dados do sistema SIROS da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) apontavam que as aéreas projetavam ofertar 2.193 voos por dia em maio. Em 12 de maio, a oferta prevista por dia era de 93 voos a menos. Com menos decolagens, o Brasil perdeu cerca de 14 mil assentos por dia neste mês. Os dados foram compilados no sistema da ANAC pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) a pedido do Valor.

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