
Um levantamento divulgado pelo governo federal na 2ª feira (18/5) mostra que Terras Indígenas (TIs) em pelo menos quatro municípios do Amazonas estão em áreas de alta vulnerabilidade ao avanço do crime organizado. Tabatinga, Atalaia do Norte, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira concentram algumas das áreas mais críticas do estado, principalmente por causa da presença de rotas do narcotráfico e crimes ambientais em regiões de fronteira, detalha o g1.
Segundo o Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado: Territórios Indígenas (IVCO-TI), facções criminosas avançam sobre as TIs por meio do narcotráfico, do garimpo ilegal, de crimes ambientais e de ameaças às lideranças indígenas. Em 2024, foram registrados 1.241 casos de violência relacionados à propriedade em TIs no Brasil, incluindo 230 invasões de terras e exploração ilegal de recursos naturais, informa o BNC Amazonas.
“O crime organizado tem recrutado muitos jovens indígenas e ameaçado lideranças. Quase todos os territórios do Amazonas estão ameaçados, especialmente na região de fronteira”, disse Marta Machado, secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad).
O governo federal anunciou um pacote de medidas para combater o crime organizado na Amazônia e em regiões fronteiriças. Segundo a Folha, o plano prevê investimento de R$ 209 milhões em ações preventivas, operações de repressão e iniciativas de retomada de áreas sob influência de facções criminosas.
Serão destinados R$ 69,1 milhões em ações de desarticulação de quadrilhas e recuperação de territórios dominados por organizações criminosas e R$ 7 milhões em operações de inteligência. Outros R$ 85,9 milhões serão investidos em ações de prevenção e ampliação do acesso a direitos, enquanto R$ 47 milhões irão para projetos de reinserção social e incentivo a atividades econômicas lícitas. O plano prevê o acompanhamento de sete regiões prioritárias, onde vivem 38 etnias indígenas, informa o 18 Horas.
Em tempo: Organizações indígenas da Pan-Amazônia e da América Latina enviaram à ONU uma carta alertando para o aumento do crime organizado na região, o que está impulsionando a exploração ilegal de madeira e ouro, além do tráfico de drogas, da violência e da destruição ambiental. Segundo a Amazon Watch, as redes criminosas afetam 67% dos municípios da Amazônia e colocam 32% dos territórios indígenas em disputa entre grupos armados. Em muitas áreas, as redes criminosas estabeleceram suas próprias formas de governança: regulam a circulação, controlam rios e estradas, extraem recursos e impõem coerção que mina tanto as instituições estatais quanto a autoridade indígena. Na carta, as organizações afirmam que as respostas governamentais focadas na força militar correm o risco de agravar as condições se não reconhecerem os direitos territoriais indígenas e os sistemas de autogoverno, segundo a AP. E solicitam ao Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas que realize um estudo específico sobre o crime organizado, instando as agências da ONU a incluir as perspectivas indígenas nas políticas de combate ao crime e à corrupção.



