
O carvão é péssimo para o meio ambiente e o clima. Além do imenso estrago provocado por sua mineração, sua queima é a que mais emite gases de efeito estufa entre os combustíveis fósseis, sem falar dos poluentes locais. Agora descobriu-se mais um malefício do carvão: ele atrapalha a geração de energia solar.
Um estudo publicado na revista Nature Sustainability por pesquisadores da Universidade de Oxford e da University College London mostrou que aerossóis – pequenas partículas liberadas pela queima de combustíveis fósseis e também por fontes naturais, como vulcões – reduziram a geração global de energia solar em 5,8% em 2023. A perda equivale a cerca de 111 terawatts-hora (TWh) de eletricidade – comparável à geração anual de 18 termelétricas a carvão de médio porte, informam Exame, Technology Org e Insurance Journal.
O impacto é maior quando parques solares estão instalados próximos a usinas a carvão, segundo os pesquisadores. Na China, maior produtora mundial tanto de energia solar quanto de eletricidade a carvão, os aerossóis reduziram a produção fotovoltaica em 7,7% em 2023. Segundo o estudo, quase um terço dessa diminuição pode ser atribuído diretamente às termelétricas a carvão.
No Paquistão, onde a adoção da energia solar avançou rapidamente nos últimos anos, o efeito foi ainda mais intenso. O estudo estima que os aerossóis reduziram a produção solar paquistanesa em 15,1% em 2023. A geração solar também foi afetada na Índia, nos Estados Unidos e no Japão.
O estudo mapeou e avaliou mais de 140 mil instalações solares em todo o mundo por meio de dados de satélite. Combinando esses dados com informações atmosféricas sobre poluição do ar, os pesquisadores calcularam quanta luz solar é perdida e como isso reduz a geração elétrica.
Para os autores da pesquisa, os resultados mostram que a expansão da energia solar não pode ser analisada isoladamente da poluição causada pelos combustíveis fósseis. Segundo Rui Song, pesquisador de pós-doutorado em Oxford e principal autor do estudo, projeções sobre transição energética costumam estimar a geração solar e associar esse volume diretamente a benefícios climáticos. O problema é que, se a poluição do carvão reduz a produção efetiva dos painéis fotovoltaicos, esses benefícios podem estar superestimados.



