
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro, aceleraram outro marco histórico no setor global de energia. Em abril, pela primeira vez, a geração de eletricidade solar e eólica superou a produção elétrica a gás fóssil – cujos preços também dispararam em decorrência do conflito no Oriente Médio.
Segundo números compilados pela Ember, think tank do setor, as fontes solar e eólica responderam por 22% do total de eletricidade produzida globalmente, ante 20% da energia elétrica a gás. Foram 531 terawatts-hora (TWh) gerados com placas solares e torres eólicas contra 477 TWh de usinas à base do combustível fóssil.
A comparação com abril de 2021 é eloquente, destaca a Folha. Há cinco anos, o gás fóssil foi responsável por uma quantidade semelhante de eletricidade produzida – 476 TWh -, enquanto as fontes solar e eólica não alcançavam 245 TWh, menos da metade do patamar atual.
“A atual crise energética fortaleceu ainda mais os argumentos econômicos a favor das energias renováveis em comparação com o gás importado, ao mesmo tempo que aumentou a urgência política para acelerar a sua implementação”, explica Kostantsa Rangelova, analista global de eletricidade da Ember. Contudo, o think tank frisa que o que ocorreu em abril reflete uma tendência mais ampla, não apenas uma reação à alta dos preços dos combustíveis fósseis após o conflito, destaca a Reuters.
A geração solar e eólica mundial subiu 13% em relação em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Ember, o Brasil gerou 4% a mais de eletricidade renovável oriunda dessas fontes. Um número modesto perto do observado em outros grandes mercados, como China (13%), União Europeia (14%), Reino Unido (35%), Austrália (17%) e Chile (24%). E até mesmo dos Estados Unidos de Donald Trump, onde a geração solar e eólica aumentou em 8%.
Segundo projeção da BloombergNEF, também publicada nesta semana, a energia solar se tornará a maior fonte de eletricidade do mundo até 2032. A guerra no Irã acelera a transição, mas a virada já ocorre devido ao excesso de oferta, aos avanços tecnológicos e à queda nos preços. “Países em todo o mundo têm recorrido à energia eólica e solar porque são fontes de eletricidade baratas, produzidas localmente e seguras”, reforça Kostantsa.
Business Green, Oil Price, Sustainable Times e The Hindu também repercutiram os dados da Ember sobre geração solar e eólica.
Em tempo: A Comissão Europeia acredita que a Europa pode reduzir o consumo do combustível fóssil em 15 bilhões de metros cúbicos (m³) este ano, disse Ruud Kempener, chefe adjunto da unidade de segurança energética da DG Energia da Comissão Europeia. Kempener afirmou que os países europeus estavam mais bem preparados para enfrentar a perturbação do abastecimento — e dos preços — causada pela guerra no Irã, uma vez que já possuíam regulamentação em vigor após a crise energética desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, informa a Reuters.



