
A guerra no Oriente Médio tem causado “marés negras” no Golfo Pérsico, demonstrando que o derramamento de petróleo na região segue persistente. Ecologistas temem que o cenário gere um desastre ambiental.
As manchas, que têm sido acompanhadas por sistemas de satélites, podem ser resultado de ataques a navios, à infraestrutura de petróleo e gás, ou ainda de problemas técnicos durante operações de carga e descarga de combustível.
Vários navios foram atingidos por projéteis e fragmentos de drones e mísseis interceptados desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Instalações energéticas onshore também foram atacadas em toda a região.
Segundo a Orbital, uma empresa na Espanha especializada em detecção de derrames de petróleo através de imagens de satélite, somente na Ilha de Kharg, no Irã, foi derramado um volume entre 300 e 3.000 barris de petróleo em 6 de maio, além de outro volume de 200 a 2.000 barris em 16 de maio.
“Se [esse óleo se] dispersar em direção a um sistema costeiro, isso terá impactos prejudiciais para quaisquer espécies de aves, recursos pesqueiros e comunidades que deles dependam”, disse Liz Atwood, cientista sênior do Plymouth Marine Laboratory, a Bloomberg.
Outra mancha teve origem na ilha de Lavan e atingiu Shidvar, uma ilha desabitada em águas iranianas que é uma reserva natural, lar de inúmeras espécies de aves e corais. Um iraniano chamado Ehsan Jalali publicou no Instagram imagens de animais impactados pela poluição, contam The Economic Times, AP News e Aljazeera.
“Pobres pássaros, vejam como estão presos no óleo. Vejam a manada de golfinhos. Os coitados vêm à superfície para respirar, mas engolem óleo”, narra Jalali na filmagem. “Veja o que eles fizeram com esta ilha. Veja o que eles fizeram. Os cadáveres dos peixes estão vindo à tona um por um”.
Um terceiro acidente foi registrado em 4 de maio, no Estreito de Ormuz: um petroleiro foi atacado e uma mancha de 33,2 quilômetros foi lançada ao mar na mesma área. Calcula-se um volume entre 25 e 230 barris de petróleo.
Segundo Liz, embora a atenção da mídia tende a se concentrar em grandes derramamentos, o impacto cumulativo de eventos menores pode ser ainda maior nos ecossistemas.



