
Apesar da Amazônia Legal ter sido responsável por 25,7% da geração nacional de energia elétrica (majoritariamente renovável) em 2020, a região consumiu apenas 8,4% desse total. Esse é um dos achados do estudo “Energia: As Amazônias na agenda de transição”, fruto da parceria entre a rede Uma Concertação pela Amazônia e o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).
Cerca de três milhões de moradores da Amazônia Legal dependem de sistemas isolados movidos principalmente a combustíveis fósseis, como diesel e gás, revela o relatório – fontes caras, poluentes e instáveis, que prejudicam o desenvolvimento da região.
O IEMA destaca alguns dados que aprofundam o entendimento do cenário: a Amazônia concentra quase um milhão de pessoas sem acesso à eletricidade; nas Unidades de Conservação, 22% da população vive sem acesso à energia elétrica; em Terras Indígenas, são quase 78 mil sem atendimento adequados; em assentamentos rurais, mais de 212 mil pessoas seguem excluídas do serviço elétrico; o Pará concentra o maior número de pessoas em situação de exclusão energética.
A falta de energia limita o desenvolvimento econômico da região, “compromete o funcionamento de escolas, o armazenamento de vacinas, o acesso à internet e também limita atividades produtivas locais”, lista Georgia Jordão, responsável pela área de Conhecimento da Uma Concertação pela Amazônia, à Folha.
Boa parte da população – cerca de 2,5 milhões de habitantes de cidades e distritos maiores – é atendida pelos Sistemas Isolados (SISOL), redes que operam fora do Sistema Interligado Nacional (SIN), que atende a maior parte do país. A maior parte (91%) da energia gerada nos SISOL vem de fontes fósseis, com emissões de gases de efeito estufa 16 vezes maiores do que as do SIN, informa Um Só Planeta.
“A dependência de fósseis, especialmente do óleo diesel, gera impactos em várias dimensões da vida dos amazônidas”, afirmou Georgia Jordão. “Em muitos casos, a energia funciona apenas algumas horas por dia, limitando serviços essenciais como saúde, educação, refrigeração e conectividade.
“Como alternativa, o relatório propõe a implementação de renováveis descentralizadas, como sistemas solares off-grid (conjuntos de painéis solares, baterias e equipamentos que funcionam desconectados da rede elétrica convencional), com capacidade para atender 226 mil residências. O estudo também indica o biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos urbanos, que pode produzir eletricidade para 546 mil casas.



