
Um novo relatório do Instituto Socioambiental (ISA) aponta que o desmatamento causado pelo garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Yanomami apresentou uma expressiva redução nos últimos três anos, após a expansão de 2021 e 2022. No entanto, o documento reforça novas táticas dos invasores, que persistem no território.
Segundo o documento, a TI Yanomami acumula 5.564 hectares de área degradada pelo garimpo. Em 2025, foram registrados 45,2 novos hectares desmatados pelo garimpo ilegal na TI – quase metade dos 84 hectares registrados em 2024, informam g1 e Folha BV.
Apesar da desaceleração, a abertura de novas áreas sugere que a atividade garimpeira ilegal não foi neutralizada. Foram encontrados 121 novos polígonos impactados, dos quais 90% têm 1 hectare ou menos.
O documento aponta que os garimpeiros têm dispersado a atividade, evitando áreas exploradas à exaustão, como Alto Catrimani, Médio Uraricoera e Homoxi. Para driblar a fiscalização, eles também estão operando mais próximos à fronteira com a Venezuela, em regiões como Parafuri-Parima, Hokomawë e Cabeceira do Aracaçá, conta o Roraima 1.
“Operações de desintrusão são o primeiro passo indispensável, mas sozinhas elas não resolvem o problema estrutural. Sem estratégias de proteção territorial de médio e longo prazo, que envolvam vigilância permanente e melhorias na regulação da cadeia do ouro, há um grande risco de observarmos uma nova onda de invasão num futuro próximo”, afirmou Estêvão Senra, geógrafo do ISA.
O especialista também destaca que o valor do ouro atingiu patamares históricos no mercado internacional, o que mantém a pressão do garimpo constante. Em 2025, o sistema de alerta registrou 66 alertas territoriais, sendo 83% alertas de invasão – com movimentação de aeronaves clandestinas, barcos, balsas, entre outros veículos. Também foram registradas situações de ataque e de entrada de arma de fogo.
O documento foi elaborado em parceria com o programa MAAP (Monitoring of the Andes Amazon Program), iniciativa da Amazon Conservation Association, da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e da Associação Wanasseduume Ye’kwana (Seduume). Além do relatório, o ISA realizou um sobrevoo nas regiões de Ericó, Palimiu, Waikás, Parafuri e Palimiu, que permitiu a documentação fotográfica comprovando as áreas desmatadas.



