
O aumento da temperatura dos oceanos pode causar uma pane no sistema usado pelos corais para difundir oxigênio por seu organismo. É como se esses invertebrados marinhos, que formam recifes essenciais para a biodiversidade, fossem asfixiados, correndo risco de morrer rapidamente, mostra um estudo publicado na Science Advances.
Os dados nem um pouco animadores revelam mais um desafio sério para os corais diante da emergência climática global, destaca a Folha. Já se sabia que ondas de calor colocam esses animais em risco ao ameaçar a relação simbiótica que eles têm com algas. Agora, as novas descobertas sugerem que outros fatores podem estar agravando o problema.
Os corais são frequentemente considerados organismos estáticos, mas suas superfícies possuem cílios semelhantes a pêlos que funcionam como um sistema de ventilação. Essas estruturas se movem ritmicamente e ajudam os corais a “respirar”, movimentando água rica em oxigênio sobre sua superfície. Mas ao ultrapassar uma temperatura crítica, eles repentinamente perdem a coordenação, causando o colapso dos níveis de oxigênio ao redor dos tecidos dos corais, explica o Down to Earth.
Os pesquisadores estudaram o coral construtor de recifes Porites lutea – presente nos oceanos Índico e Pacífico, de Madagáscar à Austrália, que vive em águas muito rasas, tem aparência pedregosa e forma estruturas semicirculares de até 4 metros de largura – e sua resposta ao aquecimento agudo na escuridão. Expuseram os corais a temperaturas gradualmente crescentes, de 27°C a 41°C, em condições de escuridão, para entender como os cílios reagiam.
De início, os cílios “batiam” de forma sincronizada a uma frequência de 21 hertz (ou seja, 21 movimentos por segundo). O que os pesquisadores verificaram é que, conforme a temperatura da água ia aumentando, esses batimentos iam se intensificando, quase como se o invertebrado estivesse “arfando”. “No entanto, esse mecanismo compensatório não consegue se manter em temperaturas mais elevadas”, explicou o coordenador do estudo, Cesar Pacherres, do Departamento de Biologia da Universidade de Copenhague.
Em um calor de até 35°C, o processo continua funcionando, mas o consumo de oxigênio pelo coral se torna tão alto que a concentração do gás dissolvido na água ao redor dele vai ficando baixa. A partir dos 37°C, os cílios começam a “bater” mais devagar e perdem sua sincronia, necessária para que o fluxo de água transporte corretamente as substâncias pelo organismo do coral. Por fim, param de bater e, em torno dos 40°C, o coral morre.
Para os pesquisadores, mais estudos, com outras espécies do grupo, devem investigar se a pane nos cílios também é uma causa significativa de mortalidade para os corais. De qualquer modo, a urgência de diminuir emissões de gases de efeito estufa para minimizar o aumento da temperatura dos mares continua sendo indiscutível.
Em tempo: Enfim, uma boa notícia: cientistas das universidades da Austrália Ocidental, James Cook e Edith Cowan pesquisaram recifes de coral no grupo de ilhas Houtman Abrolhos (HAI), na Austrália Ocidental, e publicaram suas descobertas sobre a extraordinária resiliência térmica desses seres em um estudo no jornal Current Biology. Os recifes da Austrália Ocidental sofreram ondas de calor marinhas massivas e mortais ao longo de 2025, que resultaram em branqueamento e morte generalizados dos corais, lembra o phys.org. Apesar da exposição ao calor extremo, os pesquisadores descobriram que o branqueamento dos corais nos recifes de HAI foi mínimo.



