
Os oceanos são um importante sumidouro de carbono, que absorve de 20% a 30% do total das emissões antropogênicas de dióxido de carbono. Ciclones tropicais estão entre os sistemas meteorológicos mais devastadores, que perturbam profundamente a camada oceânica superior. No entanto, seu papel no ciclo global do carbono tem sido controverso: os ciclones tropicais levam à absorção ou liberação líquida de carbono pelo oceano? E no que isso importa?
Um estudo publicado na Nature Geoscience sintetizou diversas observações para construir um conjunto de dados diários disponíveis sobre o fluxo global de CO₂ entre o ar e o mar. Com base nisso, foi quantificado o papel dos ciclones tropicais no ciclo global do carbono sob o aquecimento global, explica o phys.org. E a conclusão é preocupante.
Atualmente os ciclones tropicais ainda emitem mais carbono do que absorvem, mas essa emissão está caindo rapidamente. E, se as emissões humanas de gás carbônico continuarem altas, o papel dos ciclones pode se inverter já por volta de 2035, transformando-os em sumidouros líquidos de carbono, com consequências graves para a acidificação dos oceanos, informam Olhar Digital, O Cafezinho e Science Blog.
Os resultados mostram que, desde 1993, os ciclones tropicais foram responsáveis por entre 9% e 23% da liberação líquida de carbono dos oceanos. Essa contribuição, no entanto, diminuiu drasticamente a partir dos anos 2010, sinalizando uma tendência consistente de declínio.
Assim, na segunda metade da década de 1990, os ciclones tropicais contribuíam com cerca de 16% do fluxo global anual de carbono. Entre 2016 e 2020, essa fração caiu para apenas 4,5%.
O motivo da queda é o aquecimento global. Com o aumento da temperatura, a superfície do oceano aquece mais rápido do que as camadas mais profundas, criando um gradiente vertical mais acentuado. Ciclones provocam agora um resfriamento mais intenso da superfície (as chamadas “esteiras frias”), que podem durar semanas. Esse resfriamento aumenta o desequilíbrio de carbono na interface ar-mar e faz com que o oceano absorva mais CO₂ após a passagem da tempestade, compensando parte da emissão.
Os pesquisadores destacam que o futuro papel dos ciclones tropicais depende inteiramente das escolhas humanas – como continuar ou não queimando combustíveis fósseis. Se as emissões forem controladas imediatamente, a tendência de queda no fluxo de carbono impulsionado por ciclones dificilmente se reverterá antes da década de 2040. Mesmo assim, o nível de absorção de carbono só retornaria aos patamares atuais no final do século.
Em tempo: A absorção de carbono pelos oceanos está sendo afetada também por outro problema decorrente do consumo de petróleo: os microplásticos. Um estudo publicado na revista Ecosystem Services analisou os efeitos das partículas plásticas microscópicas sobre o fitoplâncton, grupo de organismos marinhos responsáveis por uma parcela significativa da fotossíntese realizada no planeta. Os pesquisadores identificaram sinais preocupantes relacionados à presença desses resíduos nos mares, incluindo diminuição do crescimento das microalgas marinhas; queda na capacidade dos oceanos de capturar carbono; redução da penetração da luz solar na água; e aumento de danos celulares e estresse oxidativo no fitoplâncton, lista o R7.



