Petrobras ampliará produção de combustíveis fósseis em Urucu, na Amazônia

Petrolífera e sua subsidiária Transpetro anunciarão investimentos de mais de R$ 2,8 bi – a maior parte para perfurar poços na Floresta Amazônica.
27 de maio de 2026
petrobras urucu
Província Petrolífera de Urucu, em Coari (AM) - Divulgação Petrobras
Resumo
  • R$ 2,5 bi para mais combustíveis fósseis na Amazônia — A Petrobras destinará a maior parte de seus investimentos no Amazonas para perfurar 22 novos poços e ampliar a produção de petróleo e gás em Urucu, no coração da Floresta Amazônica.
  • Promessa de desenvolvimento que nunca chegou — Após 40 anos de exploração e polpudos royalties, Coari — a "Dubai Amazônica" — segue sem desenvolvimento real: faltava até aspirina na farmácia popular.
  • Na contramão da transição — Enquanto organizações da sociedade civil propõem transformar a Amazônia em zona livre de combustíveis fósseis, a Petrobras anuncia expansão fóssil na região. Isso após se auto intitular "líder da transição energética justa".
  • A agenda do presidente Lula no Amazonas nesta semana não se restringe à celebração do asfaltamento do “trecho do meio” da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) – e que já tem contratações sob suspeita (leia aqui). Nesta 4ª feira (27/5), Lula participará de um evento para anunciar investimentos da Petrobras e da Transpetro, subsidiária de transporte da petrolífera. O que inclui explorar combustíveis fósseis na Floresta Amazônica.

    Os investimentos no Amazonas previstos até 2030 superam R$ 2,8 bilhões, informam InfoMoney, Times Brasil, Guia do Investidor e Agência Petrobras. Parte será aplicado na construção de 18 barcaças pelo Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia. Segundo as empresas, as embarcações serão usadas para garantir maior eficiência logística no fornecimento de combustível marítimo nos portos do país.

    Mas a maior parte dos recursos – R$ 2,5 bilhões – será destinada pela Petrobras para ampliar a produção de combustíveis fósseis na Província Petrolífera de Urucu, em Coari, a cerca de 650 quilômetros de Manaus. Em entrevista à Brasil Energia em março, o gerente executivo de Terra e Águas Rasas da petrolífera, Stênio Galvão, citou a perfuração de 22 novos poços para o desenvolvimento da produção, assim como a ampliação do fornecimento de gás fóssil do campo.

    Urucu entrou em operação há exatamente 40 anos, em 1986. A unidade de produção de petróleo e gás foi implantada no meio da floresta. De lá, partem dutos que levam gás fóssil e também gás liquefeito de petróleo (GLP) até Manaus. Do alto é possível ver torres queimando parte do gás produzido.

    Assim como todos os projetos de exploração de combustíveis fósseis no Brasil, a província petrolífera foi instalada com inúmeras promessas de levar desenvolvimento e riqueza à Amazônia. No entanto, os repórteres André Borges e Ruy Baron estiveram na região em 2023 e mostram que nada disso existe em Coari. Na “Dubai Amazônica” – apelido dado devido aos polpudos royalties oriundos da exploração de petróleo e gás -, faltava até aspirina na farmácia popular.

    Em um policy brief lançado dias antes da 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, organizações da sociedade civil propuseram a criação de zonas livres de petróleo e gás fóssil (FFZ, na sigla em Inglês) – uma delas, na Amazônia. As FFZ são “uma oportunidade concreta para impulsionar uma transição justa e ordenada para eliminar os combustíveis fósseis através da proteção de ‘zonas de vida’”, diz o documento.

    Mas, em vez disso, a Petrobras vai produzir mais petróleo e gás no meio da Floresta Amazônica. A transição energética justa que espere.

    Continue lendo

    Assine Nossa Newsletter

    Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

    Em foco

    Aprenda mais sobre

    Desafios e soluções

    Aqui você terá acesso a conteúdo que permitirão compreender as consequências das mudanças climáticas, sob os pontos de vista econômico, político e social, e aprenderá mais sobre quais são os diferentes desafios e as possíveis soluções para a crise climática.
    15 Aulas — 7h Total
    Iniciar