Investimentos em petróleo cairão pelo 3º ano consecutivo, aponta a IEA

Impactos do conflito no Oriente Médio devem remodelar os planos de investimento em energia, que passam a priorizar a segurança energética.
29 de maio de 2026
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IA sobre imagem PEXELS
Resumo
  • Conflito no Oriente Médio redesenha investimentos: Choque do petróleo força países e empresas a priorizarem segurança energética, o que deverá reduzir os investimentos no combustível fóssil pelo terceiro ano consecutivo.
  • Eletricidade lidera a corrida do capital: Dos US$ 3,4 trilhões previstos para energia em 2026, quase US$ 2,2 trilhões vão para renováveis, redes elétricas, armazenamento e eletrificação.
  • Carvão e gás na contramão: Enquanto o petróleo perde espaço, o investimento em carvão deve atingir o maior nível desde 2012 e o gás fóssil receberá o maior aporte em 10 anos.
  • Os efeitos dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã sobre o fornecimento e os preços dos combustíveis fósseis estão levando países e empresas a repensarem suas estratégias de investimento em energia, em resposta às crescentes preocupações com a segurança energética e a confiabilidade dos fluxos comerciais. É o que mostra o relatório anual “World Energy Investment 2026”, lançado pela Agência Internacional de Energia (IEA) na 5ª feira (28/5).

    Por conta dessa mudança de foco, forçada pelo conflito no Oriente Médio, os investimentos globais em projetos petrolíferos deverão cair novamente em 2026, para menos de US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões), mesmo com a disparada dos preços, indica o relatório. Será o terceiro ano consecutivo de queda nessas aplicações, segundo a Bloomberg.

    No geral, os investimentos em energia devem aumentar 5% neste ano, para US$ 3,4 trilhões (R$ 17,1 trilhões). Cerca de US$ 2,2 trilhões (R$ 11,1 trilhões) estão previstos principalmente para redes elétricas, armazenamento, combustíveis de baixa emissão, energia nuclear, energias renováveis ​​e eletrificação, informa a Oil Price. Já os recursos para petróleo, gás fóssil e carvão deverão totalizar US$ 1,2 trilhão (R$ 6 trilhões), de acordo com a IEA.

    O investimento relacionado à eletricidade continua sendo o tema dominante nas tendências globais de gastos com energia, diz o documento. Espera-se que os recursos para fornecimento e infraestrutura de eletricidade atinjam quase US$ 1,6 trilhão (R$ 8,1 trilhões) em 2026 e subam para US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões) quando a eletrificação do uso final for incluída. Os gastos com redes elétricas devem se aproximar de US$ 550 bilhões (R$ 2,8 trilhões) – um aumento de quase 20% em relação ao ano anterior -, enquanto o investimento em armazenamento de baterias deve ultrapassar US$ 100 bilhões (R$ 505 bilhões).

    O relatório destaca o crescente interesse dos países importadores de combustíveis fósseis em fontes energéticas disponíveis em seus territórios – incluindo energias renováveis, energia nuclear e, em alguns casos, carvão. O investimento em projetos de energia renovável deverá totalizar US$ 665 bilhões (R$ 3,4 trilhões) em 2026, com US$ 365 bilhões (R$ 1,8 trilhão) destinados apenas à fonte solar.

    Pelo lado dos combustíveis fósseis, se os recursos para petróleo cairão novamente, o mesmo não deverá acontecer com o carvão e, principalmente, com o gás fóssil.

    A IEA prevê que o investimento em carvão deverá subir para US$ 180 bilhões (R$ 909 bilhões) em 2026 – o nível mais alto desde 2012 -, com a China respondendo por quase 70% dos gastos globais com o fornecimento do combustível fóssil. Já o investimento global em projetos de gás fóssil deverá crescer mais de 10% em 2026, atingindo US$ 330 bilhões (R$ 1,7 trilhão), informa a Reuters – o maior nível de recursos para esse combustível em 10 anos.

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