
Enfrentar a crise climática global é “a coisa mais difícil, mas também a mais importante, que a Humanidade já tentou fazer em conjunto”. Foi assim que Simon Stiell, chefe do Clima do ONU, deu início às negociações na 64ª sessão dos Órgãos Subsidiários (SB64) da Convenção sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), encontro preparatório para a COP31 que começou ontem (8/6) em Bonn, na Alemanha, e se estende até o dia 18 de junho.
A fim de evitar as habituais disputas diplomáticas que costumam emperrar as negociações, Stiell alertou os governos de que não há tempo para “reabrir debates passados ou renegociar compromissos já assumidos”, destaca o Climate Home. Em vez disso, ele disse que há um imperativo de acelerar a ação no mundo real, à medida que o calor mortal se intensifica e a crise do custo dos combustíveis fósseis, desencadeada pela guerra no Oriente Médio, estrangula as economias, “destruindo vidas e prosperidade”.
Stiell relacionou a dependência de combustíveis fósseis às dificuldades econômicas e à inflação, informam Mail&Guardian e The Cable. “É cristalino: continuar dependendo de combustíveis fósseis significa continuar importando inflação e instabilidade econômica”, disse, alertando que os países permanecem expostos a choques nos preços da energia e a desastres relacionados ao clima, que estão “destruindo vidas e prosperidade em todos os lugares”.
Entre as prioridades das negociações de Bonn estão o avanço dos trabalhos relativos à Meta Global de Adaptação (GGA), que foi um dos destaques da COP30. Outro resultado importante da conferência do clima do ano passado no Brasil que terá destaque é o Mecanismo de Ação de Belém para Transição Justa (BAM) – temas que integram a pauta do Geledés – Instituto da Mulher Negra, que participa da SB64.
Também presente em Bonn, a Aliança Global para o Clima e a Saúde (GCHA) instou os governos participantes das negociações climáticas a triplicarem o financiamento público para adaptação, por meio de doações, para pelo menos US$ 120 bilhões até 2035. Para a GCHA, o financiamento inadequado pode prejudicar os esforços para proteger as pessoas dos riscos à saúde relacionados ao clima, destaca o Down to Earth.



