
A USA Rare Earth (USAR), empresa estadunidense que comprou a Serra Verde – a única mineradora de terras raras do Brasil -, assinou um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,3 bilhões) com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos (DOC, sigla em Inglês). Na prática, porém, o governo de Donald Trump não será apenas financiador da empresa, mas deterá participação acionária na companhia, conta o Capital Reset.
Segundo os termos firmados, a USAR emitirá ao DOC 16,1 milhões de ações ordinárias e cerca de 17,6 milhões de warrants – instrumentos que dão direito à compra de ações no futuro. O acordo dá acesso a até US$ 277 milhões (R$ 1,4 bilhão) em financiamento federal e até US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões) em empréstimos garantidos no âmbito do programa CHIPS, criado para fortalecer a indústria estadunidense de semicondutores.
A transação ainda depende de aprovações regulatórias e de acionistas para ser concluída. Mas, caso seja confirmada, colocará um ativo estratégico brasileiro em uma empresa com participação direta de Washington.
Especialistas do setor mineral ouvidos pela CNN Brasil apontam que a operação envolvendo a Serra Verde mostra o peso estratégico do Brasil no cenário geopolítico dos minerais críticos. Mas é necessário que a indústria avance para além da mineração.
No Congresso, tramita uma proposta para uma política nacional de minerais críticos e estratégicos. O texto que está em análise no Senado prevê mecanismos de estímulo ao beneficiamento, à transformação mineral, à inovação e à industrialização no país.
Em maio, a superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um procedimento administrativo para analisar o acordo de venda da Serra Verde à USAR. Segundo o Cade, o objetivo é analisar se a combinação de negócios entre a Serra Verde e a USAR e o acordo de fornecimento informado configurariam ato de concentração de mercado.



