Governo dos EUA será sócio de mineradora que comprou a Serra Verde

Transação precisa ser aprovada, mas, se confirmada, põe ativo estratégico brasileiro em uma empresa com participação direta de Washington.
8 de junho de 2026
eua sócio de mineradora
Capital Reset
Resumo
  • “Agente laranja” na Serra Verde: Governo dos EUA não será apenas financiador da USA Rare Earth: receberá ações e warrants da empresa que comprou a única mineradora de terras raras do Brasil, colocando um ativo estratégico brasileiro sob participação direta de Washington.
  • Pacote de US$ 1,6 bilhão: O financiamento combina até US$ 277 milhões em recursos federais diretos e até US$ 1,3 bilhão em empréstimos garantidos pelo programa CHIPS — criado para fortalecer a indústria estadunidense de semicondutores.
  • Negócio ainda enfrenta escrutínio no Brasil: O Cade abriu procedimento para analisar se a operação configura concentração de mercado. No Congresso, tramita proposta de política nacional de minerais críticos que busca garantir que o país vá além da mineração bruta e avance no beneficiamento e industrialização.
  • A USA Rare Earth (USAR), empresa estadunidense que comprou a Serra Verde – a única mineradora de terras raras do Brasil -, assinou um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,3 bilhões) com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos (DOC, sigla em Inglês). Na prática, porém, o governo de Donald Trump não será apenas financiador da empresa, mas deterá participação acionária na companhia, conta o Capital Reset.

    Segundo os termos firmados, a USAR emitirá ao DOC 16,1 milhões de ações ordinárias e cerca de 17,6 milhões de warrants – instrumentos que dão direito à compra de ações no futuro. O acordo dá acesso a até US$ 277 milhões (R$ 1,4 bilhão) em financiamento federal e até US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões) em empréstimos garantidos no âmbito do programa CHIPS, criado para fortalecer a indústria estadunidense de semicondutores.

    A transação ainda depende de aprovações regulatórias e de acionistas para ser concluída. Mas, caso seja confirmada, colocará um ativo estratégico brasileiro em uma empresa com participação direta de Washington.

    Especialistas do setor mineral ouvidos pela CNN Brasil apontam que a operação envolvendo a Serra Verde mostra o peso estratégico do Brasil no cenário geopolítico dos minerais críticos. Mas é necessário que a indústria avance para além da mineração.

    No Congresso, tramita uma proposta para uma política nacional de minerais críticos e estratégicos. O texto que está em análise no Senado prevê mecanismos de estímulo ao beneficiamento, à transformação mineral, à inovação e à industrialização no país.

    Em maio, a superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um procedimento administrativo para analisar o acordo de venda da Serra Verde à USAR. Segundo o Cade, o objetivo é analisar se a combinação de negócios entre a Serra Verde e a USAR e o acordo de fornecimento informado configurariam ato de concentração de mercado.

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