ONS aciona plano inédito para cortar geração de energia renovável

Medida foi tomada diante da oferta de energia muito maior que demanda, algo que sistemas de baterias resolveriam – se estivessem instalados.
8 de junho de 2026
ons energia renovável
torstensimon/Pixabay
Resumo
  • Corte de geração inédito: No domingo (7/6), o ONS acionou um plano emergencial inédito para reduzir a produção de eletricidade da geração distribuída, feita pelo próprio consumidor de energia.
  • Renováveis crescem mais rápido que infraestrutura: O episódio repete um padrão já conhecido no Nordeste há três anos, onde gargalos de transmissão forçam cortes frequentes de eólica e solar.
  • Falta de baterias agrava o problema: Sistemas de armazenamento em baterias (BESS) poderiam absorver o excesso de geração, mas o Brasil ainda não os têm em escala. E só os terá em 2028, segundo diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME).
  • Há quase três anos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vem limitando a geração de energia eólica e solar de usinas instaladas no Nordeste, sobretudo por gargalos no sistema de transmissão. Agora, pela primeira vez, o órgão acionou um plano emergencial para reduzir a produção de eletricidade com foco na geração distribuída – aquela feita pelo próprio consumidor.

    A medida foi tomada no domingo (7/6) para evitar possíveis riscos de desequilíbrio no sistema elétrico, diante da previsão de oferta de energia muito maior que a demanda. O excesso de eletricidade pode acabar derrubando a transmissão e causando apagões, explica a Folha.

    O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em novembro de 2025. O mecanismo prevê que as distribuidoras de energia cortem a geração de eletricidade de pequenas usinas para atender aos comandos do ONS durante momentos de excedente de geração no país. Segundo o Valor, a medida envolve as chamadas usinas Tipo III – pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa, além de eólicas e solares de menor porte que ficam sob responsabilidade de gestão das empresas.

    Inicialmente o operador determinou a redução de geração de grandes usinas que integram o Sistema Interligado Nacional (SIN) – a rede básica de eletricidade – e estão sob sua gestão, informa o InfoMoney. A essas plantas, o ONS determinou o corte de até 1 gigawatt (GW). Paralelamente o órgão acionou as distribuidoras para limitar a geração das plantas menores.

    Em agosto do ano passado, no Dia dos Pais, a geração distribuída chegou a atender a 37,6% de toda a demanda nacional de eletricidade, o que deixou o operador com margem mínima de segurança para o sistema. Para equilibrar a rede e evitar problemas, o ONS precisou reduzir fortemente a geração de hidrelétricas e termelétricas e cortar 98,5% da produção de grandes usinas eólicas e solares.

    Vale lembrar que parte do excesso de geração elétrica poderia ser resolvido se o Brasil já dispusesse de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, sigla em Inglês). No entanto, após dois anos de expectativa, somente na semana passada o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou as diretrizes dos primeiros leilões para contratação desses sistemas, que estão previstos para ocorrer em dezembro e têm entrega prevista somente para 2028.

    Canal Solar, Bom Dia Brasil, Megawhat, Canal Energia, Vero Notícias, eixos, CNN Brasil, O Globo e g1 também noticiaram o corte de geração promovido pelo ONS.

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