
Os maiores bancos do mundo destinaram US$ 906 bilhões em financiamento para a indústria de combustíveis fósseis em 2025 – US$ 64 bilhões (8%) a mais do que no ano anterior. O aumento dos investimentos garantirá mais anos de produção de petróleo, gás fóssil e carvão. E, por consequência, agravará as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
É o que mostra a nova edição do relatório “Banking on Climate Chaos – Fossil Fuel Finance Report 2026”. O documento, lançado por diversas organizações da sociedade civil, analisou os 65 maiores bancos do mundo. Embora 26 deles tenham reduzido a destinação de recursos para a indústria fóssil, os investimentos dos demais foram suficientes para ampliar os valores de um ano para o outro.
As grandes empresas de petróleo e gás não ficaram sem dinheiro disponível, com os maiores bancos prometendo US$ 508 bilhões para a expansão de instalações de combustíveis fósseis existentes – crescimento de 27% sobre 2024. Três empresas de petróleo e gás dos Estados Unidos – Venture Global, Enbridge e Energy Transfer – foram as maiores beneficiárias de empréstimos em 2025.
O banco estadunidense JPMorgan Chase voltou a ser o principal financiador mundial de combustíveis fósseis, destaca o relatório. A instituição investiu US$ 58 bilhões no setor de combustíveis fósseis no ano passado – um aumento de 13% em relação a 2024, informam Guardian e Green Central Banking.
O segundo colocado do “ranking sujo” também é dos EUA: o Bank of America, seguido pelos bancos japoneses MUFG e Mizuho Financial. O Citigroup, outro banco estadunidense, completa a lista dos cinco maiores financiadores. Já bancos europeus como BNP Paribas, UBS e La Caixa estão entre os que mais cortaram negócios com combustíveis fósseis.
O documento ainda destaca uma crescente concentração do financiamento de combustíveis fósseis entre credores e tomadores de empréstimos. Em 2025, 15% do financiamento bancário foi destinado a apenas 10 empresas de combustíveis fósseis.
A concentração dos financiamentos em poucas instituições também preocupa. O relatório mostra que os 12 maiores bancos controlam quase 40% do financiamento de combustíveis fósseis em todo o mundo. Observa-se que 87% do financiamento bancário global para combustíveis fósseis flui por meio de seis centros financeiros: EUA, Canadá, Japão, China, Reino Unido e União Europeia.
À medida que um número menor de bancos e empresas controla uma parcela maior do financiamento de combustíveis fósseis, esses bancos e empresas ganham maior influência sobre o futuro do sistema energético global. O que aumenta os riscos para as pessoas e as economias, avalia a Stand.Earth.
“O ano passado foi o primeiro em que esperávamos ver uma diminuição contínua nos números históricos. Mas vimos um aumento, e isso continua neste ano”, disse Caleb Schwartz, analista de políticas públicas da Rainforest Action Network, um dos grupos responsáveis pelo relatório. “Portanto, é uma tendência preocupante.”



