
A Copa do Mundo de 2026 da FIFA deve bater diversos recordes. Além do maior número de seleções participantes e maiores receitas, o torneio também ficará marcado por temperaturas escaldantes e o maior volume de emissão de gases de efeito estufa dentre todas as copas.
Segundo um relatório da Greenly, plataforma global de contabilidade de carbono, o evento pode gerar 7,8 milhões de toneladas métricas de CO2. Isso equivale às emissões anuais de 1,7 milhão de carros ou às emissões anuais de Serra Leoa, na África. E é mais que o dobro da última Copa, no Catar, em 2022, quando foram emitidas 3,7 milhões de toneladas.
O levantamento destaca que o aumento da pegada de carbono é impulsionado, principalmente, pelas distâncias percorridas entre Canadá, Estados Unidos e México, países que sediam a Copa de 2026. De acordo com a Greenly, 87% das emissões do torneio virão de viagens, informam Reuters e DW.
Nessas idas e vindas “sujas”, a BBC destaca a participação da seleção do Irã. Devido aos ataques de Estados Unidos e Israel ao país, os jogadores iranianos não poderão permanecer em solo estadunidense após os jogos. Ou seja, nos três primeiros jogos da fase de grupos, os atletas e toda a comissão técnica do Irã terão que viajar para os EUA e depois retornar para o México.
Apesar de ter acordado em 2021 a reduzir para metade suas emissões até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2040, a FIFA não estabelece metas específicas para a Copa. As metas cobrem apenas a própria organização, detalha o Mirror Football.
Um dos autores do relatório, o pesquisador Stuart Parkinson, da Scientists for Global Responsibility, também aponta que, das 18 ações definidas em sua estratégia climática para 2021, a FIFA concluiu apenas duas. As demais não registram nenhum progresso visível.
Em 2024, a entidade também assinou um acordo de patrocínio com a Saudi Aramco, uma das maiores petrolíferas do mundo, no valor de US$ 100 milhões (R$ 519 milhões) ao ano. A Aramco está patrocinando a Copa do Mundo 2026, que, ironicamente, terá quase todas as suas partidas com probabilidade de registrar temperaturas acima de 28°C, limite associado à queda de desempenho dos jogadores.
Segundo um levantamento da Bloomberg, todas as seleções participantes sofrerão com o calor ao longo dos 39 dias do torneio. Os jogadores da Tunísia enfrentarão a programação mais quente. “Esse ciclo de calor se acumula com o tempo, assim como a fadiga”, explica Donal Mullan, professor sênior da Queen’s University Belfast, na Irlanda do Norte.
A final do mundial provavelmente será a mais quente desde a Copa de 1994, em Los Angeles.
Em tempo: Um estudo recente da Universidade da Geórgia alerta para os potenciais impactos do calor nos trabalhadores da Copa do Mundo 2026. Com base em 30 anos de dados meteorológicos de cidades-sede do torneio, a pesquisa descobriu que, em muitas delas, os trabalhos no evento excederam os limites de exposição e alerta recomendados para o calor, colocando os trabalhadores em risco de problemas de saúde como exaustão ou insolação. Regiões quentes e úmidas, como o Sul dos Estados Unidos, são apontadas como mais vulneráveis, detalha o 11alive. Para trabalhadores da construção civil, de estacionamento, de manutenção, de segurança e até mascotes, as atividades "só poderiam ser realizadas com segurança por 15 minutos a cada hora".



