
Ao reduzir drasticamente a oferta de combustíveis fósseis e provocar a disparada de preços, os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã também afetaram a demanda por petróleo. No mês passado, a Agência Internacional de Energia (IEA) projetou uma queda de quase 2,5 milhões de barris por dia (bpd) no consumo no 2º trimestre deste ano. Mas novos números do Goldman Sachs mostram que a redução da demanda pode ser ainda mais profunda.
O banco estimou uma destruição da demanda global de petróleo de 4 milhões a 5 milhões de bpd em abril, já que o fechamento do Estreito de Ormuz parece ter reduzido a oferta global em 4% a 5%, informam Reuters e eixos. Segundo o Goldman Sachs, a queda além do previsto representa riscos para sua previsão de preço do petróleo Brent de US$ 90 por barril e do WTI de US$ 83 por barril no 4º trimestre.
A queda na demanda foi impulsionada pelo menor consumo, particularmente na China e na Europa Ocidental, onde os relatórios de vendas de combustíveis no varejo em abril foram fracos, disse o Goldman Sachs. Embora a redução represente riscos de baixa para os preços, o banco pontuou que há riscos significativos de alta, caso Ormuz permaneça fechado e a oferta global diminua ainda mais.
As estimativas do banco foram baseadas em três abordagens distintas: análises da produção global de refinarias; medidas de alta frequência da demanda por petróleo; e estimativas de outros analistas e de empresas de trading.
O choque do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio fortaleceu as discussões sobre a chamada “destruição da demanda”, destaca o New York Times. O termo, que já existe há décadas, refere-se à perda contínua da demanda por uma commodity decorrente de preços elevados.
A longo prazo, as mudanças que as pessoas – e os governos – fizerem agora, incluindo a transição para fontes renováveis, podem reduzir permanentemente a demanda por petróleo. Algo de que o clima do planeta precisava há anos. Mas que agora vem se tornando imprescindível também à segurança e à soberania energética das nações.
Em tempo: Enquanto se fala em “destruição da demanda” por petróleo, a Petrobras continua na empreitada de explorar combustíveis fósseis na Foz do Amazonas. Segundo Valor e Brasil Energia, o IBAMA pediu à petrolífera o cronograma atualizado das atividades de perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59. E a estatal pediu a inclusão de uma nova plataforma de perfuração, a UMP Amaralina Star (NS-43), na licença que autorizou a perfuração. Segundo o documento, a Petrobras alegou a necessidade de “garantir maior flexibilidade operacional”. Segundo a empresa, a NS-43 tem a mesma capacidade técnica e operacional da sonda NS-42 (ODN-II), que perfura o Morpho. A expectativa é de que a Petrobras conclua a perfuração de Morpho neste mês.



