
O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) divulgou na 6ª feira (5/6) uma nova previsão para o El Niño de 2026/2027. Os resultados mantêm o sinal de aquecimento muito intenso na superfície do Oceano Pacífico na região Niño 3.4 e aumentam a probabilidade do cenário previsto para o segundo semestre. Mas, em vez de um “Super El Niño”, o órgão aponta um fenômeno ainda mais forte, sem precedentes na história moderna.
É a primeira atualização após a passagem da janela de março-abril-maio, conhecida como “barreira da previsibilidade”, na qual oceanos e atmosfera passam por mudanças mais rápidas do que em outras épocas do ano, explica o Meteored Brasil. Como consequência, as variações momentâneas podem resultar em erros amplificados nas projeções.
Os principais destaques das novas previsões do ECMWF são: anomalias superiores a 2°C persistindo e intensificando entre julho e, pelo menos, novembro; chegando a 3°C acima da média no final do ano; algumas projeções individuais do conjunto chegam a indicar valores acima de 4°C entre outubro e novembro; e sinal de aquecimento intenso constante.
Meteorologistas alertam, contudo, que a previsão do centro europeu usa a climatologia do período 1981-2010 e tende a inflar parcialmente o sinal de aquecimento do El Niño, já que não utiliza o novo índice relativo, adotado pela Administração Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA), que leva em conta o aquecimento global nos últimos anos, informa o Metsul. Ainda assim, os especialistas ressaltam que o cenário continua indicando um evento climático global de enorme intensidade.
Para o Brasil, a nova previsão indica chuvas acima da média na Região Sul durante todo o segundo semestre, com anomalias mensais superiores a 50 mm em cada um dos meses. Norte e Nordeste devem sofrer com o aumento da seca, que se espalha pelo Centro-Oeste e o Sudeste a partir de novembro, gerando queda de produtividade agrícola e aumentando o risco de incêndios. São Paulo preocupa pela crise hídrica já instalada – no início deste mês, o sistema Cantareira operava com menos de 40% da sua capacidade, segundo o Diário do Centro do Mundo.
O governo federal ainda adota cautela sobre o El Niño neste ano, mas prepara ações para mitigar os impactos do fenômeno e evitar que incêndios florestais se espalhem pelo país durante a seca – o que pode exigir dinheiro extra. O IBAMA e o ICMBio devem precisar de cerca de R$ 200 milhões em crédito extraordinário, parte para recompor perdas orçamentárias, explica a Folha.
O governo Lula tem mantido uma sala de situação contra incêndios, que reúne diversos ministérios. Em geral, o plano federal prevê a participação das forças de segurança para apoio da fiscalização e investigação, da Defesa na logística e dos Transportes no controle de rodovias. O governo também entregou R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para a compra de equipamentos de combate à incêndios para seis estados do Pantanal e do Cerrado.



