China adota selo socioambiental do Imaflora para garantir carne brasileira sem desmatamento

Imaflora inicia piloto da certificação Beef on Track (BoT), que rastreia e comprova a conformidade socioambiental da carne bovina brasileira.
11 de junho de 2026
china selo imaflora carne
Bruno Cecim/Agência Pará
Resumo
  • China aceita novo selo brasileiro de carne sem desmatamento: A Tianjin Meat Association e outros oito importadores chineses assinaram carta de interesse no Beef on Track (BoT), certificação do Imaflora que rastreia a conformidade socioambiental da carne bovina brasileira, destino de 47% das exportações do setor.
  • Aposta é que prêmio financeiro mude comportamento do produtor: Inspirado no "boi China" - que já reduziu 5,8 milhões de toneladas de CO2eq em 2022 - o BoT quer agregar valor à carne livre de desmate e alcançar não só a Amazônia, mas outros biomas.
  • Sistema já tem base consolidada no TAC Carne Legal: O BoT se apoia nas auditorias do TAC firmado com o MPF desde 2009, que exige rastreabilidade e veda compras de fazendas com desmate ilegal ou trabalho escravo. Resultado: 2,2 milhões de toneladas de carne já elegíveis ao selo, lançado há apenas oito meses.
  • Principal destino das exportações de carne bovina brasileira, a China vai começar a aceitar uma nova certificação que atesta que os produtos não estão associados a desmatamento. Chamado Beef on Track (BoT), o selo foi desenvolvido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) para monitorar e verificar a conformidade socioambiental da carne do país.

    A iniciativa começou com a assinatura de uma carta de interesse entre o instituto e a Tianjin Meat Association (TMA), entidade que reúne empresas ligadas à cadeia da carne no país asiático, informa a Times Brasil. Outros oito importadores chineses de carne entraram na carta de interesse, segundo o Gigante 163.

    O projeto se inspirou no chamado “boi China” – padrão de qualidade exigido pelo mercado chinês para a importação de carne bovina brasileira – relata o Capital Reset. No início desta década, a exigência dos chineses por rastreabilidade e abate dos animais antes de 30 meses impulsionou mudanças que reduziram as emissões do setor em cerca de 5,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2022.

    A aposta do instituto é que um selo que ateste o desmatamento zero – e possivelmente um prêmio pelos produtos – possa ter efeito semelhante, desta vez alcançando não só a Amazônia, mas outros biomas que almejam o mercado chinês. Afinal, a China é o destino de 47% das exportações brasileiras de carne bovina, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

    Mais do que reconhecimento, o prêmio pela carne livre de desmate quer mexer com o produtor pelo bolso. “É uma oportunidade interessante para a carne brasileira, que agrega valor ao carregar também informação socioambiental”, afirma Marina Guyot, diretora de Clima e Desmatamento Zero do Imaflora.

    O BoT não começa do zero. Desde 2009, os maiores frigoríficos que operam na Amazônia Legal são obrigados a cumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público Federal (MPF). Conhecido como TAC Carne Legal, o acordo exige que os frigoríficos rastreiem a origem dos bois que compram, garantindo que o animal não veio de fazendas com desmatamento ilegal, trabalho escravo ou invasão de Terras Indígenas. Quem não cumpre a condição não pode vender para os grandes compradores.

    O sistema é auditado regularmente por empresas independentes, e o BoT reconhece essa auditoria. É por isso que o Brasil já tem 2,2 milhões de toneladas de carne que podem receber o BoT, lançado há somente oito meses.

    Pará Terra Boa, Space Money, Canal Rural, Band e Globo Rural também noticiaram o acordo do Imaflora com importadores chineses de carne bovina.

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