
A degradação dos oceanos continua avançando em ritmo acelerado, enquanto respostas de proteção e recuperação por parte de governos, instituições e do mercado seguem abaixo do ritmo necessário. Essa é a principal conclusão do Barômetro Starfish 2026, relatório anual sobre a saúde dos oceanos, publicado na revista State of the Planet.
Segundo o documento, a taxa média de elevação do nível do mar atingiu 4,2 milímetros por ano entre 2012 e 2015 – quase o dobro das décadas anteriores. O relatório ainda destaca que um quarto dos primeiros 1.000 metros de coluna d’água dos oceanos está submetido a múltiplas pressões ambientais simultâneas, que resultam em aquecimento, acidificação, perda de oxigênio e outras alterações, detalham EcoDebate e Eco 21.
Emissões globais de CO2, poluição por plástico, pesca e exploração mineral em águas profundas são apontados como fatores que continuam a pressionar os oceanos. Além disso, o estudo identifica falhas persistentes na governança dos mares: 67% dos navios pesqueiros industriais que operam em áreas marinhas protegidas não são monitorados publicamente.
Segundo o levantamento, tempestades e inundações causaram prejuízos estimados em US$ 212 bilhões (R$ 1,1 trilhão) em 2024. O relatório também cita impactos como o aumento nos custos de seguros marítimos, além da perda de 8.260 vidas em 2025.
Cerca de 600 milhões de pessoas dependem dos oceanos para sua subsistência, informam Portos e Navios e Plurale. Além disso, mais de 80% do comércio mundial em volume é transportado por via marítima, movimentando cerca de US$ 2,5 trilhões (R$ 13 trilhões).
Entre os avanços, o estudo destaca o Tratado do Alto-Mar (BBNJ), que aumentou as áreas protegidas da superfície oceânica global em 10%, e novas medidas de proteção para tubarões e raias, informa o Reconecta News.
O relatório se soma à análise sobre a degradação dos oceanos apresentada na Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), da ONU. O documento destaca a aceleração do aumento do nível dos oceanos – uma taxa que subiu mais de 50% desde a edição anterior, publicada há quatro anos.
“O Dia Mundial dos Oceanos [celebrado em 8 de junho] deve nos levar a refletir tanto sobre os riscos quanto sobre as oportunidades à frente, porque não existe um caminho crível para a ação climática, a segurança energética e a segurança econômica sem colocar o oceano no centro”, disse Peter Thomson, enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos.
Em tempo: Após a divulgação de um vídeo que mostra uma baleia-jubarte cercada por mais de 40 embarcações em Ilhabela, no litoral de São Paulo, a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) cobraram do IBAMA e de órgãos ambientais do estado o reforço da fiscalização na região. Segundo a Folha, os parlamentares também pediram que fossem identificadas e multadas as embarcações envolvidas, caso seja confirmada o descumprimento das regras que disciplinam a aproximação de cetáceos. A mobilização acontece em meio ao crescimento do turismo de observação de baleias na cidade. Somente em 2025, a atividade atraiu 25 mil turistas para a região.



