Degradação dos oceanos avança mais rápido que ações de proteção e recuperação

Emissões, plástico, pesca e exploração mineral estão entre as múltiplas pressões ambientais simultâneas sentidas pelo meio marinho. 
11 de junho de 2026
degradação dos oceanos
Fernando Frazão/Agência Brasil
Resumo
  • Degradação dos oceanos supera respostas de proteção: Essa é a conclusão central do Barômetro Starfish 2026. O documento ainda destaca que um quarto dos primeiros 1.000 metros da coluna d'água enfrenta múltiplas pressões simultâneas, e 67% dos navios pesqueiros em Áreas Protegidas não são monitorados publicamente.
  • Impactos econômicos e humanos já são bilionários: Tempestades e inundações causaram US$ 212 bilhões em prejuízos em 2024 e 8.260 mortes em 2025. Cerca de 600 milhões de pessoas - 7,5% da população mundial - dependem dos oceanos para sobreviver, e mais de 80% do comércio mundial passa por rotas marítimas.
  • Avanços existem, mas são insuficientes: O Tratado do Alto-Mar ampliou em 10% as áreas oceânicas protegidas. Ainda assim, o ritmo de degradação - incluindo a elevação do nível do mar de 4,2 mm/ano entre 2012 e 2015 - segue muito acima da capacidade de resposta.
  • A degradação dos oceanos continua avançando em ritmo acelerado, enquanto respostas de proteção e recuperação por parte de governos, instituições e do mercado seguem abaixo do ritmo necessário. Essa é a principal conclusão do Barômetro Starfish 2026, relatório anual sobre a saúde dos oceanos, publicado na revista State of the Planet.

    Segundo o documento, a taxa média de elevação do nível do mar atingiu 4,2 milímetros por ano entre 2012 e 2015 – quase o dobro das décadas anteriores. O relatório ainda destaca que um quarto dos primeiros 1.000 metros de coluna d’água dos oceanos está submetido a múltiplas pressões ambientais simultâneas, que resultam em aquecimento, acidificação, perda de oxigênio e outras alterações, detalham EcoDebate e Eco 21.

    Emissões globais de CO2, poluição por plástico, pesca e exploração mineral em águas profundas são apontados como fatores que continuam a pressionar os oceanos. Além disso, o estudo identifica falhas persistentes na governança dos mares: 67% dos navios pesqueiros industriais que operam em áreas marinhas protegidas não são monitorados publicamente.

    Segundo o levantamento, tempestades e inundações causaram prejuízos estimados em US$ 212 bilhões (R$ 1,1 trilhão) em 2024. O relatório também cita impactos como o aumento nos custos de seguros marítimos, além da perda de 8.260 vidas em 2025.

    Cerca de 600 milhões de pessoas dependem dos oceanos para sua subsistência, informam Portos e Navios e Plurale. Além disso, mais de 80% do comércio mundial em volume é transportado por via marítima, movimentando cerca de US$ 2,5 trilhões (R$ 13 trilhões).

    Entre os avanços, o estudo destaca o Tratado do Alto-Mar (BBNJ), que aumentou as áreas protegidas da superfície oceânica global em 10%, e novas medidas de proteção para tubarões e raias, informa o Reconecta News.

    O relatório se soma à análise sobre a degradação dos oceanos apresentada na Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), da ONU. O documento destaca a aceleração do aumento do nível dos oceanos – uma taxa que subiu mais de 50% desde a edição anterior, publicada há quatro anos.

    “O Dia Mundial dos Oceanos [celebrado em 8 de junho] deve nos levar a refletir tanto sobre os riscos quanto sobre as oportunidades à frente, porque não existe um caminho crível para a ação climática, a segurança energética e a segurança econômica sem colocar o oceano no centro”, disse Peter Thomson, enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos.

    • Em tempo: Após a divulgação de um vídeo que mostra uma baleia-jubarte cercada por mais de 40 embarcações em Ilhabela, no litoral de São Paulo, a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) cobraram do IBAMA e de órgãos ambientais do estado o reforço da fiscalização na região. Segundo a Folha, os parlamentares também pediram que fossem identificadas e multadas as embarcações envolvidas, caso seja confirmada o descumprimento das regras que disciplinam a aproximação de cetáceos. A mobilização acontece em meio ao crescimento do turismo de observação de baleias na cidade. Somente em 2025, a atividade atraiu 25 mil turistas para a região.

    Continue lendo

    Assine Nossa Newsletter

    Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

    Em foco

    Aprenda mais sobre

    Justiça climática

    Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
    2 Aulas — 1h Total
    Iniciar