Brasil deve ter maior safra de café da história, mas clima preocupa

Apesar da supersafra, a chegada do El Niño pode alterar o regime de chuvas em regiões cafeeiras e afetar a produção e os preços.
12 de junho de 2026
café mudança do clima
Eduardo Gorghetto
Resumo
  • Brasil rumo à maior safra de café da história: A CONAB projeta 66,8 milhões de sacas em 2026 - alta de 18% sobre o ciclo anterior e recorde histórico, superando os 63 milhões de 2020. O USDA é ainda mais otimista, projetando 72 milhões de sacas.
  • El Niño confirmado acende alerta no setor: O fenômeno pode alterar o regime de chuvas nas regiões cafeeiras. Com estoques globais já baixos após safras comprometidas, qualquer impacto na produção pode pressionar os preços para cima - e o mercado já reagiu: lotes subiram 1,13% na manhã de ontem.
  • No curto prazo, estabilidade nos preços: Apesar da incerteza climática, a tendência imediata é de preços estáveis ou levemente em queda, enquanto a supersafra ainda não sofreu impactos do El Niño.
  • O Brasil deve registrar a maior safra de café da história, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). A safra de 2026, em início de colheita e que deve acelerar na segunda metade de junho, foi estimada em 66,8 milhões de sacas de 60 kg. Mas o clima pode afetar esses planos, ainda mais com a confirmação do El Niño.

    O valor projetado para este ano representa uma alta de 18% sobre o ciclo anterior e supera o recorde de 63,08 milhões de sacas de 2020, informam Folha e Investing.com. Contudo, a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o café brasileiro é de 72 milhões de sacas.

    Apesar da boa expectativa, o setor cafeeiro está em alerta. Uma preocupação é o estoque global, que segue muito baixo após uma sequência de safras comprometidas. Outra é o El Niño. Por causa da confirmação do fenômeno, segundo o Globo Rural, o preço do café estava em alta na manhã da 5ª feira (11/6): os lotes com entrega para julho subiram 1,13%.

    “Caso ocorram condições climáticas adversas que prejudiquem as lavouras e reduzam a produção, podemos enfrentar um cenário de restrição de oferta. O que, consequentemente, pode pressionar os preços para cima”, afirma Claudio Delposte, analista de café do Rabobank no Brasil.

    A tendência a curto prazo, ao menos, é que o consumidor perceba a estabilidade ou leve queda nos preços do produto, informa o Vero Notícias

    • Em tempo: Diante do impacto das mudanças climáticas sentidas pelas espécies de café arábica e robusta, pesquisadores e produtores estão investindo em espécies mais resilientes e negligenciadas, como a excelsa. A espécie é nativa de partes da África tropical e ocidental, bem como do Sudeste Asiático, e já é cultivada em larga escala em Uganda e no Vietnã. A excelsa se mostra mais produtiva, resiliente e lucrativa do que a robusta. Outras espécies estudadas são a Stenophylla - com sabor semelhante ao do arábica e maior tolerância ao calor - e a Liberica, que prospera em diversas condições, desde terras baixas úmidas até regiões mais secas, relata o Mongabay.

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