Conselhão recomenda fim dos subsídios a combustíveis fósseis

Sugestão integra a lista de propostas do grupo para os mapas do caminho globais, coordenados pela presidência brasileira da COP30.
12 de junho de 2026
emissões globais metano recorde 2024
Robert S. Donovan
Resumo
  • "Conselhão" recomenda fim dos subsídios fósseis e imposto seletivo: Grupo entregou a Lula proposta de cronograma para eliminar benefícios fiscais a petróleo, gás fóssil e carvão, redirecionando recursos para renováveis e políticas sociais.
  • Meta de 100% de renováveis até 2035 vai de encontro ao LRCAP: O documento recomenda eliminar termelétricas fósseis e atingir matriz elétrica 100% renovável até 2035 - um recado direto ao governo Lula, que segue contratando usinas a gás, carvão e diesel pelo leilão de capacidade ainda questionado na Justiça.
  • Mapa do caminho brasileiro: Sugestões se destinam aos mapas do caminho coordenados pela presidência da COP30, mas servem de pressão para o mapa nacional, cujas diretrizes estão atrasadas - e sem previsão de entrega.
  • O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o “Conselhão”, entregou ao presidente Lula na 4ª feira (10/6) um documento com recomendações para os mapas do caminho globais para além dos combustíveis fósseis e o fim do desmatamento, coordenados pela presidência da COP30. Entre as propostas estão a eliminação de subsídios a petróleo, gás fóssil e carvão e a adoção de um imposto seletivo sobre combustíveis fósseis – o que serve também para o aguardado mapa do caminho brasileiro, cujas diretrizes são esperadas há quase cinco meses.

    “Subsídios explícitos e implícitos aos combustíveis fósseis, somados às receitas de royalties, criam dependência fiscal, distorcem preços e retardam a descarbonização. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima US$ 7 trilhões (R$ 36 trilhões) em subsídios globais, e o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) aponta que R$ 47 bilhões em benefícios fiscais no Brasil em 2024 foram destinados a combustíveis fósseis”, ressalta o documento.

    O “Conselhão” propõe estabelecer um “cronograma de eliminação de subsídios diretos e indiretos, começando pelos incentivos fiscais regressivos (isenções tributárias e renúncias)”, destaca o Poder 360. A ideia é redirecionar os recursos economizados para novas energias e políticas sociais compensatórias.

    O grupo também defende a promoção de instrumentos fiscais e regulatórios que “incentivem a descarbonização da matriz energética e o uso de combustíveis de baixa intensidade de carbono”. Assim, propõe um imposto seletivo sobre combustíveis fósseis e a revisão de benefícios tributários a cada cinco anos, com base na eficiência e nos impactos climáticos.

    É o que o governo brasileiro quer fazer com a reforma tributária, ressalta a eixos. A partir de 2027 começa a valer o chamado “imposto do pecado”. Um veto de Lula à lei da reforma, aprovada em 2025, permite a incidência do imposto sobre as exportações dos setores de petróleo e mineração, o que a indústria trabalha para derrubar, obviamente.

    O “Conselhão” propõe ainda a criação de políticas fiscais e regulatórias que incentivem a ampliação da produção e do uso de combustíveis sustentáveis. Além disso, recomenda o estabelecimento da meta de 100% de eletricidade renovável até 2035, com cronograma de eliminação de termelétricas fósseis e sua substituição por soluções renováveis – um recado claro para o governo brasileiro, que está contratando usinas a gás, carvão, óleo combustível e diesel por meio do leilão de capacidade (LRCAP), que vai pesar nas contas de luz, além de “sujar” a matriz elétrica brasileira.

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