
O Brasil apresentou na 6ª feira (12/6), na Conferência de Bonn (SB64) preparatória para a COP31, o primeiro balanço do mapa do caminho global para a transição para longe dos combustíveis fósseis. O roadmap é coordenado pela presidência brasileira da COP30 e deverá ser lançado em Belém pouco antes da conferência do clima da Turquia, que ocorrerá em novembro.
Ao todo, 115 países e 247 atores não estatais enviaram contribuições ao documento. Um número que o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, descreveu como “acima do esperado para uma iniciativa de apenas seis meses”, destaca o Capital Reset. “A recente crise geopolítica mostrou com muita clareza como os combustíveis fósseis estão ligados a vulnerabilidades. Precisamos lidar com isso no mapa do caminho”, lembrou Corrêa do Lago.
A apresentação procurou responder a uma das principais preocupações manifestadas nas consultas: que o roadmap fosse interpretado como uma tentativa de ditar caminhos de transição a diferentes países. No entanto, o presidente da COP30 frisou que o roteiro deverá funcionar como uma ferramenta flexível de implementação.
Dessa forma, o mapa do caminho não será um mecanismo de cobrança com metas uniformes, mas sim adaptável à realidade de cada país. O documento focará nos obstáculos concretos à transição: dependência fiscal do petróleo, acesso a financiamento, desenvolvimento industrial e proteção de trabalhadores e comunidades.
Em paralelo, Brasil e Turquia apresentaram a proposta de governança do Acelerador Global de Implementação, mecanismo de cooperação voluntária criado na COP30. A ideia é selecionar, entre os 120 planos de aceleração climática já existentes na agenda global (discutidos na Agenda de Ação em Belém), as soluções com maior potencial de gerar efeitos em cascata e mudanças sistêmicas.
A seleção será feita em duas fases. Primeiro, por especialistas independentes; depois, por um conselho que inclui as presidências da COP, bancos multilaterais e o secretariado da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC).
“A grande vantagem é que temos muito mais liberdade para implementar do que para negociar. A negociação exige consenso; a implementação não”, disse Corrêa do Lago.



