
O mercado de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, sigla em Inglês) vive a expectativa de ganhar escala com a realização do primeiro leilão de baterias do país, previsto para dezembro. O certame, cujas regras foram publicadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na semana passada, já mobiliza empresas e estimula novos negócios – como a construção de fábricas desses equipamentos no Brasil.
Uma das empresas que já anunciaram investimentos no segmento é a brasileira WEG. Em fevereiro, a WEG recebeu financiamento de R$ 280 milhões do BNDES para modernizar uma unidade dedicada à produção e integração de BESS e construir outra fábrica, que será a maior do tipo no país e deverá ficar pronta em 2027. As duas estruturas ficam em Itajaí (SC). Com a execução das obras, a empresa terá capacidade de produzir anualmente equipamentos capazes de armazenar até 2 gigawatt-hora (GWh), informam O Globo e Valor.
Outra iniciativa é da Anodox, empresa sueca de sistemas de armazenamento que chegou ao Brasil no fim de 2024 e foi contemplada com um financiamento do BNDES em valor não revelado na mesma chamada pública da WEG. A companhia, que hoje importa baterias produzidas pela cadeia industrial internacional do grupo, elegeu o Ceará para sediar sua primeira fábrica no Brasil.
A unidade deve iniciar a operação em 2028 e criar 590 empregos, entre diretos e indiretos. A capacidade poderá atingir 2 GWh por ano. No primeiro momento, o foco da Anodox será a montagem modular e a integração de sistemas BESS em parceria com um sócio chinês. A ideia, contudo, é promover a transição gradual para a produção local.
As baterias são apontadas como solução estratégica para mitigar o curtailment – o corte forçado de geração em usinas solares e eólicas em momentos em que há excesso de oferta e que foi estabelecido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) há quase três anos. Os equipamentos podem guardar o volume excedente de eletricidade para injetá-lo na rede posteriormente, sobretudo nos horários de pico de consumo, contribuindo para ampliar a segurança energética do país e diminuir o risco de apagões.
Relatório recente da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) mostrou que sistemas renováveis híbridos – usinas solares e eólicas com baterias – já são mais vantajosos economicamente do que a geração a partir de combustíveis fósseis em várias regiões do mundo, entre elas o Brasil. Outro levantamento, da BloombergNEF, mostrou que os custos dos BESS vêm despencando ano a ano, eliminando a barreira de preço que impedia sua expansão nos sistemas elétricos mundo afora.
O primeiro leilão brasileiro de baterias deverá mobilizar cerca de R$ 8 bilhões em investimentos, estima a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE). E pelo imenso potencial do mercado nacional, um levantamento da consultoria Deloitte aponta que as aplicações no segmento podem atingir R$ 57 bilhões em dez anos, destaca o Estadão.
Em tempo: Mais uma reviravolta envolvendo o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) do governo que contratou térmicas a gás fóssil, carvão, óleo combustível e diesel. O juiz federal substituto da 6ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, Manoel Pedro Martins de Castro Filho, anulou a liminar da Justiça Federal do Ceará que suspendia a homologação do certame, informam Valor, Canal Solar e Poder 360. A liminar foi parte da ação civil pública movida pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e pelo Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia), questionando a legalidade e a regularidade da concorrência.



