
A Petrobras estimou que concluirá a perfuração do poço de exploração Morpho, no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, no dia 7 de agosto. A estatal informou a nova data ao IBAMA, em resposta ao pedido do órgão ambiental para atualizar o cronograma de perfuração do poço, informam Valor, BNAmericas e Petronotícias.
Em meados de maio, a diretora de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras, Sylvia do Anjos, disse que a perfuração de Morpho terminaria neste mês. De acordo com a executiva, a petrolífera já havia perfurado cerca de 5.000 metros do poço a partir do solo marinho, e faltavam cerca de 1.000 metros para atingir o reservatório de petróleo e gás visualizado nas pesquisas.
A abertura de Morpho foi iniciada no final de outubro do ano passado, logo após a Petrobras obter a licença ambiental do IBAMA. No início de janeiro deste ano, porém, os trabalhos foram interrompidos por causa do vazamento de mais de 18.000 litros de fluidos de perfuração. A paralisação durou cerca de 70 dias, tendo sido retomada em meados de março.
Por causa do vazamento, a petrolífera recebeu uma multa de R$ 2,5 milhões do IBAMA. Já a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) autuou a petrolífera, após identificar uma não conformidade crítica na plataforma NS-42 (ODN-II), da Foresea, que está perfurando o poço. O valor da penalização poderia chegar a R$ 2 milhões.
A estatal havia pedido ao IBAMA a inclusão de uma nova sonda, a NS-43 (Amaralina Star), também da Foresea, na licença ambiental que autorizou a perfuração. A empresa alegou a necessidade de “garantir maior flexibilidade operacional”, já que seus planos envolvem transferir a NS-42 para a Bacia Potiguar após a perfuração de Morpho.
Inicialmente, a Petrobras esperava concluir o poço no Bloco 59 em abril. Com o vazamento em janeiro e a paralisação da perfuração, o cronograma foi atualizado para junho.
Não se sabe por que a petrolífera adiou a conclusão do poço. Mas uma fala da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltada pelo Valor, dá uma dica: “Estava conversando esses dias que, perfurar na Guiana, até de cabeça para baixo a gente faz. Mas na Foz do Amazonas, com correnteza, só a gente.”
Não foi por falta de aviso. Afinal, foi essa mesma correnteza que desancorou uma plataforma que perfurava um poço para a Petrobras em uma área próxima ao Bloco 59, em 2011. E fez a estatal desistir da perfuração.



