
O avanço das temperaturas provocado pelas emissões de gases de efeito estufa já compromete a capacidade de trabalho no campo e acende um alerta para a segurança alimentar global. No Brasil, trabalhadores rurais perderam, em média, 295 horas de atividade devido ao estresse térmico em 2024, ano do último El Niño. Foram quase 25 dias de trabalho perdidos. É um volume 23% superior ao registrado em 1990.
É o que mostra um estudo da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU). A pesquisa avaliou 15 importantes países produtores de alimentos da América Latina, África e Ásia que exportam seus produtos para o Reino Unido – entre eles, o Brasil e a Índia.
Juntos, trabalhadores agrícolas das 15 nações perderam 216 bilhões de horas de atividade em 2024. Na média, cada trabalhador deixou de exercer cerca de 590 horas de atividade – o equivalente a 49 dias de trabalho, informam Campo & Negócios, CanaOeste e Agromundo. As perdas estão aumentando em cerca de quatro a cinco horas por trabalhador por ano.
Se o impacto sobre o trabalhador rural brasileiro já impressiona, a situação na Índia é mais dramática, destaca o Down to Earth. Segundo o estudo, foram 648 horas de trabalho agrícola perdidas no território indiano em 2024. São quase dois meses de trabalho impedido pelo estresse térmico.
A queda da capacidade laboral causada pelo calor extremo é uma ameaça direta à produção agrícola mundial, reforça a pesquisa. Além de comprometer a saúde dos trabalhadores, a crise climática afeta a produtividade das lavouras, a estabilidade das cadeias de abastecimento e os preços dos alimentos.
Com a confirmação de um novo El Niño para 2026/2027, a ameaça se repete e deve ser ainda maior. Especialistas alertam que a combinação do fenômeno com as mudanças climáticas pode intensificar eventos extremos e tornar 2027 um dos anos mais quentes já registrados.
Dados do Lancet Countdown mostram que o calor extremo provocou a perda de 640 bilhões de horas potenciais de trabalho em todo o mundo em 2024 – o ano mais quente já registrado até o momento. O volume representa um aumento de quase 98% em relação à média observada na década de 1990.



