Petróleo atinge preço mínimo em três meses após anúncio de novo acordo entre EUA e Irã

Trump diz que acordo será divulgado após assinatura formal, marcada para 6ª feira, mas pacto pode depender dos acontecimentos no Líbano.
15 de junho de 2026
petróleo eua irã
Veci verejné
Resumo
  • Acordo EUA-Irã derruba preços do petróleo ao menor nível em três meses: o anúncio de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã, com previsão de reabertura do Estreito de Ormuz, fez o Brent recuar 4,76%, para US$ 83,17, e o WTI 4,87%, para US$ 80,75 — mínimas desde março.
  • Cessar-fogo de 60 dias, não paz definitiva: os termos divulgados apontam para uma trégua temporária, não um pacto permanente. Questões centrais, como o programa nuclear iraniano e a situação no Líbano, seguem em aberto, e Israel mantém ataques ao país.
  • Mercado cético sobre queda sustentada nos preços: analistas duvidam que o petróleo volte aos níveis pré-conflito, abaixo de US$ 70 por barril. O raciocínio: o restabelecimento do fornecimento via Ormuz levará tempo, os estoques foram reduzidos e o risco geopolítico de uma ruptura do acordo justifica um prêmio persistente nos preços.
  • Os preços do petróleo atingiram seu valor mínimo desde março após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que seu país e o Irã assinaram um memorando de entendimento para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. O acordo será formalmente divulgado na 6ª feira (19/6). Mas, segundo a Reuters, poderá depender dos acontecimentos no Líbano, que tem sido um ponto de discórdia nas negociações pela insistência de Israel em manter os ataques ao país. 

    Na sessão de ontem (15/6), os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 4,76%, a US$ 83,17 por barril. Já o barril do WTI, dos EUA, fechou a US$ 80,75, uma queda de 4,87%. São os níveis mais baixos registrados pelas referências desde o dia 4 de março, detalha a Reuters.

    Os termos exatos do acordo ainda não são conhecidos. De acordo com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que vinha mediando as negociações entre EUA e Irã, o pacto exigia “o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”. O que deixa dúvidas sobre a efetividade festejada por Trump.

    Até o fim da tarde de ontem, o que se sabia sobre o texto era de que não se tratava de um pacto definitivo, mas sim de um novo cessar-fogo de 60 dias. Nesse período temporal, questões controversas, como o futuro do programa nuclear iraniano, deverão ser decididas.

    Autoridades dos EUA afirmam que os benefícios econômicos previstos para o Irã no acordo estão condicionados ao cumprimento das exigências de que o país nunca construa uma arma nuclear. Já as autoridades iranianas, que sempre negaram essa intenção, dizem ter cedido pouco e obtido o compromisso de Washington de suspender as sanções, liberar ativos congelados e pagar indenizações pela guerra que Trump iniciou, ao lado de Israel.

    O “agente laranja” anunciou a abertura irrestrita do Estreito de Ormuz pelas forças navais estadunidenses e o fim do bloqueio ao Irã. Apesar disso, ainda há dúvidas sobre se o acordo será mesmo para valer. E se for, quanto tempo levará para que o transporte de combustíveis fósseis e outros insumos por Ormuz volte ao ritmo que era antes do conflito no Oriente Médio – e se isso fará os preços do petróleo cederem em definitivo.

    A equipe de pesquisa do Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG), por exemplo, está cética quanto ao retorno do tráfego e à baixa dos preços, informa o Valor. “Duvidamos que retorne aos níveis pré-conflito, abaixo de US$ 70 por barril, visto que levará tempo para que o fornecimento seja restabelecido, os estoques foram reduzidos e um prêmio de risco geopolítico maior ainda será necessário para refletir o risco contínuo de fracasso do acordo.”

    • Em tempo: O anúncio do acordo entre EUA e Irã derrubou também as ações da Petrobras, que terminaram nas mínimas do dia  na B3. No fim do pregão de ontem (15/6), os papéis PN da petrolífera cederam 5,15%, enquanto as ações ON recuaram 5,30%, informa o Valor.

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