
Os preços do petróleo atingiram seu valor mínimo desde março após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que seu país e o Irã assinaram um memorando de entendimento para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. O acordo será formalmente divulgado na 6ª feira (19/6). Mas, segundo a Reuters, poderá depender dos acontecimentos no Líbano, que tem sido um ponto de discórdia nas negociações pela insistência de Israel em manter os ataques ao país.
Na sessão de ontem (15/6), os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 4,76%, a US$ 83,17 por barril. Já o barril do WTI, dos EUA, fechou a US$ 80,75, uma queda de 4,87%. São os níveis mais baixos registrados pelas referências desde o dia 4 de março, detalha a Reuters.
Os termos exatos do acordo ainda não são conhecidos. De acordo com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que vinha mediando as negociações entre EUA e Irã, o pacto exigia “o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”. O que deixa dúvidas sobre a efetividade festejada por Trump.
Até o fim da tarde de ontem, o que se sabia sobre o texto era de que não se tratava de um pacto definitivo, mas sim de um novo cessar-fogo de 60 dias. Nesse período temporal, questões controversas, como o futuro do programa nuclear iraniano, deverão ser decididas.
Autoridades dos EUA afirmam que os benefícios econômicos previstos para o Irã no acordo estão condicionados ao cumprimento das exigências de que o país nunca construa uma arma nuclear. Já as autoridades iranianas, que sempre negaram essa intenção, dizem ter cedido pouco e obtido o compromisso de Washington de suspender as sanções, liberar ativos congelados e pagar indenizações pela guerra que Trump iniciou, ao lado de Israel.
O “agente laranja” anunciou a abertura irrestrita do Estreito de Ormuz pelas forças navais estadunidenses e o fim do bloqueio ao Irã. Apesar disso, ainda há dúvidas sobre se o acordo será mesmo para valer. E se for, quanto tempo levará para que o transporte de combustíveis fósseis e outros insumos por Ormuz volte ao ritmo que era antes do conflito no Oriente Médio – e se isso fará os preços do petróleo cederem em definitivo.
A equipe de pesquisa do Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG), por exemplo, está cética quanto ao retorno do tráfego e à baixa dos preços, informa o Valor. “Duvidamos que retorne aos níveis pré-conflito, abaixo de US$ 70 por barril, visto que levará tempo para que o fornecimento seja restabelecido, os estoques foram reduzidos e um prêmio de risco geopolítico maior ainda será necessário para refletir o risco contínuo de fracasso do acordo.”
Em tempo: O anúncio do acordo entre EUA e Irã derrubou também as ações da Petrobras, que terminaram nas mínimas do dia na B3. No fim do pregão de ontem (15/6), os papéis PN da petrolífera cederam 5,15%, enquanto as ações ON recuaram 5,30%, informa o Valor.



