
Produtores rurais e moradores da região da Estação Ecológica da Terra do Meio, Unidade de Conservação (UC) localizada entre Altamira e São Félix do Xingu, no sudoeste do Pará, interceptaram caminhões usados pelo ICMBio para transportar gado apreendido e soltaram os animais. A ação motivou a Polícia Federal (PF) a abrir uma investigação sobre o que aconteceu na região.
A apreensão ocorreu no âmbito da Operação Pasto Nullus, deflagrada pelo ICMBio em 3 de junho. Na semana passada, fiscais do órgão apreenderam cerca de 90 cabeças de gado, quando houve a interceptação de caminhões que transportavam os animais. Imagens que circulam nas redes sociais mostram pessoas cercando os veículos, abrindo as carrocerias e liberando o gado, destacam Folha e Revista Fórum.
A Pasto Nullus foi lançada com apoio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e de órgãos estaduais do Pará. Segundo o ICMBio, os animais ocupam áreas embargadas por desmatamento. A ação ocorre principalmente em uma região conhecida como Transiriri, uma das áreas mais ocupadas da estação ecológica.
A investigação da PF foi aberta um dia após o episódio de soltura dos animais, informa o g1. O objetivo das diligências é coletar e analisar informações para apurar condutas ilícitas e identificar possíveis responsáveis.
A Terra do Meio é uma das regiões mais sensíveis da Amazônia. A estação ecológica integra um mosaico de Áreas Protegidas localizado entre os rios Xingu e Iriri, no sudoeste paraense. A UC ocupa mais de 3,3 milhões de hectares – quase 20 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
A criação da estação ecológica, em 2005, ocorreu justamente porque a região enfrentava forte pressão de grilagem, abertura de pastagens e desmatamento. A UC é de proteção integral, onde não é permitida exploração econômica dos recursos naturais, como criação de gado ou ocupação privada. O objetivo principal é a preservação da Natureza e a realização de pesquisas científicas.
No entanto, produtores rurais da região alegam que o governo estaria tratando ocupantes antigos da mesma forma que invasores recentes. Lideranças locais argumentam que muitas famílias vivem na área há anos e dependem da pecuária para sua subsistência. Afirmam, ainda, que a regularização fundiária não avançou na mesma velocidade das ações de fiscalização.



