Amazônia se recupera de seca histórica após dois anos, mostra MapBiomas

Superfície de água do bioma voltou a ficar acima da média histórica; Pantanal registrou pior déficit hídrico, com superfície de água 56% abaixo da média. 
17 de junho de 2026
amazônia seca histórica
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Resumo
  • A Amazônia supera média histórica de água após seca extrema: recuperação foi puxada por Pará e Amazonas, mas 20 sub-bacias - 37% do bioma - ainda estão abaixo da média, e aquíferos subterrâneos se recuperam muito mais lentamente do que os rios.
  • Pantanal vive crise hídrica sem recuperação à vista: enquanto a Amazônia vai se recompondo, o Pantanal registrou déficit hídrico em todos os meses de 2025, com a área coberta por água representando 56% abaixo da média histórica de 1985 a 2025.
  • Brasil perdeu um lago do tamanho de Sergipe nos últimos 30 anos: balanço geral do MapBiomas Água aponta que o país ainda está abaixo da média histórica de superfície hídrica, com 18,2 milhões de hectares ante uma referência de 18,5 milhões. Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga tiveram leve alta em 2025; Pampa, leve queda.
  • A Amazônia levou dois anos para se recuperar da seca histórica provocada pelas mudanças climáticas e potencializada pelo El Niño em 2023 e 2024. O bioma voltou a ganhar área coberta por água, superando a média histórica em 2025. Essa é a principal constatação da nova coleção do MapBiomas Água, publicada na 3ª feira (16/6).

    Os ganhos ficaram, em especial, no Pará, com novos 142 mil hectares cobertos por água, e no Amazonas, com novos 87 mil hectares, sendo as chuvas as principais impulsionadoras da recuperação. Embora a superfície da água na Amazônia tenha ficado 2,6% acima da média histórica no ano passado, a distribuição desse volume não foi uniforme, destaca o DW.

    Segundo o Valor, 20 sub-bacias – que representam 37% do total do bioma – ainda apresentam superfície de água abaixo da média histórica. As bacias do rio Negro, distribuídas no Brasil entre Amazonas e Roraima, e a sub-bacia do rio Trombetas, no Pará, são exemplos das que não se recuperaram.

    “Os rios respondem relativamente rápido com as chuvas, mas as florestas e aquíferos subterrâneos demoram mais. Além disso, as áreas mais frágeis do bioma ainda permanecem suscetíveis aos incêndios. Esse cenário coloca em risco a resiliência socioambiental da região” aponta n’O Globo Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e membro da equipe Amazônia do MapBiomas.

    No geral, a superfície de água em todo o Brasil ficou 5,3% acima da média em 2025 em relação ao ano anterior, totalizando 18,2 milhões de hectares, mas abaixo da média histórica de 18,5 milhões de hectares. Em 2025 a superfície de água representou 2% do território nacional. Mas, nos últimos 30 anos, o país perdeu um lago de água do tamanho de Sergipe.

    Se a Amazônia se recuperou, o Pantanal vive um cenário muito preocupante. Em 2025, todos os meses registraram superfícies cobertas por água abaixo do normal no bioma, destacam Revista Fórum e Ciclo Vivo. Mesmo após uma recuperação parcial em relação a 2024, ano no qual o bioma enfrentou uma seca histórica, a superfície de água no Pantanal permaneceu 56% abaixo da média observada entre 1985 e 2025, destaca o Um só planeta.

    Segundo Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento no MapBiomas, o último período de cheias no Pantanal foi em 2018, quando extensas áreas permaneceram alagadas por dois ou três meses. Corumbá (MS) é o município que mais perdeu superfície de água.

    Quanto aos demais biomas, o relatório mostra que a Mata Atlântica registrou leve aumento da superfície de água (+0,4%) de 2024 para 2025, mais da metade dos 22 mil km² confinada a espaços criados pelo homem, como reservatórios; o balanço também foi positivo para o Cerrado (+0,4%) e a Caatinga (+0,5%). Já o Pampa registrou baixa de -0,2%.

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