Legisladores dos EUA se opõem a cortes de Trump em monitoramento oceânico

Senadora republicana se une a pares democratas em uma tentativa de impedir o desmantelamento da Iniciativa de Observatórios Oceânicos.
17 de junho de 2026
monitoramento oceânico
Nicolas/Pixabay
Resumo
  • Trump desmonta rede de US$ 386 milhões sem aviso: NSF inicia o desmonte físico da Iniciativa de Observatórios Oceânicos (OOI), que monitora circulação oceânica, mudanças climáticas e ecossistemas marinhos há uma década e tinha previsão de durar mais 15 a 20 anos.
  • Senadora republicana se une a democratas para tentar barrar desmonte: a senadora Lisa Murkowski (Alasca) assina carta bipartidária à NSF exigindo a suspensão do processo e consulta à comunidade científica antes de qualquer medida adicional. Democratas da Câmara acusaram a agência de agir ilegalmente.
  • A perda vai além da ciência: especialistas alertam que o fim da OOI reduzirá dados sobre inundações costeiras, pesca comercial e a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), sistema crítico para o clima no Hemisfério Norte.
  • Os ataques de Trump à agenda ambiental e climática desagradam até mesmo políticos de seu partido. A senadora republicana Lisa Murkowski, do Alasca, uniu-se à ação de um grupo de senadores democratas e de duas comissões democratas da Câmara para tentar salvar uma extensa rede de monitoramento oceânico do país, ameaçada pelo governo do “agente laranja”.

    Na 2ª feira (15/6), os parlamentares enviaram cartas à Fundação Nacional de Ciência (NSF, sigla em Inglês) pedindo que ela revertesse seu plano de desmantelar a Iniciativa de Observatórios Oceânicos (OOI, sigla em Inglês). Os deputados democratas foram além e acusaram a NSF de agir ilegalmente, informam AP e Guardian.

    A OOI é uma rede de US$ 386 milhões (R$ 1,9 bilhão) com mais de 900 sensores oceânicos. Ao longo da última década, monitorou a circulação oceânica, os ecossistemas marinhos, as mudanças climáticas e eventos climáticos extremos, produzindo dados disponíveis gratuitamente ao público e subsidiando mais de 500 publicações científicas. O projeto tinha previsão de duração de mais 15 a 20 anos. No entanto, em 21 de maio, foi confirmado que a NSF havia iniciado um processo de “redução do escopo”, informam Earth.com e USA Today – na prática, uma desmontagem de quase toda a rede.

    A proposta orçamentária da fundação para o ano fiscal de 2026 já previa um corte de 80% no financiamento da OOI. Agora está em andamento a remoção física de equipamentos. Até 2027, a NSF desativará a infraestrutura subaquática de quatro de seus cinco conjuntos de instrumentos implantados no Pacífico, na costa atlântica dos EUA e nas águas próximas à Groenlândia e à Islândia.

    Cientistas afirmam que a decisão da NFS foi tomada sem aviso prévio e sem revisão científica e reforçam que será uma perda “trágica” de informações cruciais sobre o aquecimento dos oceanos em todo o mundo. Para Mark Spalding, presidente da Ocean Foundation, a remoção aumentará os riscos para as comunidades costeiras, as economias locais e a segurança nacional. Isso significa menos foco no risco de inundações, menos dados para a pesca comercial e menos pontos de dados sobre a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), um sistema crucial para o clima no Hemisfério Norte, destaca Spalding.

    Diante disso, os parlamentares resolveram agir. Em carta, os senadores democratas Edward Markey e Elizabeth Warren (Massachusetts), Tammy Baldwin (Wisconsin), Patty Murray e Maria Cantwell (Washington), Sheldon Whitehouse (Rhode Island), Chris Van Hollen (Maryland) e Ron Wyden (Oregon), além da republicana Lisa Murkowski, instaram a NSF a interromper o desmantelamento da OOI e a realizar uma revisão completa de seus planos, incluindo consulta à comunidade científica marinha, antes de qualquer outra medida ser tomada.

    Em uma repreensão mais contundente, democratas das comissões de ciência, espaço e tecnologia e de recursos naturais da Câmara exigiram que a agência “cesse imediatamente essa ação cara, destrutiva e crucialmente ilegal”. A carta foi liderada por Zoe Lofgren e Jared Huffman, representantes da Califórnia, os principais democratas em suas respectivas comissões, e assinada por 23 membros democratas de cada comissão.

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