
As montadoras japonesas estão adotando uma estratégia coordenada em diferentes mercados para refrear a transição para modelos elétricos. A mobilização é feita tanto no âmbito doméstico quanto em mercados emergentes estratégicos, como Brasil, Colômbia e Indonésia. Já as montadoras chinesas, que vêm liderando a eletrificação de automóveis no mundo, participam dos debates regulatórios com muito menos frequência.
É o que mostra um levantamento do think tank InfluenceMap. A análise destaca que as montadoras japonesas e chinesas representaram 57% das vendas globais de veículos em 2025 – o que lhes confere influência significativa sobre o ritmo da descarbonização do transporte em todo o mundo.
Nos mercados analisados pelo InfluenceMap, os japoneses repetem os mesmos posicionamentos e narrativas sobre a descarbonização dos transportes, sugerindo uma estratégia global de lobby. Assim, montadoras como a Toyota e a Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis (JAMA) promoveram de forma consistente uma abordagem de “múltiplas rotas” como alternativas à eletrificação, embora muitas delas não sejam compatíveis com trajetórias alinhadas à ciência climática ou representem apenas soluções de curto prazo. Entre os principais argumentos defendidos estão a ampliação do papel dos combustíveis alternativos e a promoção de veículos híbridos com motor a combustão interna em detrimento de uma eletrificação rápida e completa.
À medida que a demanda por VEs cresce, impulsionada pelo aumento dos preços dos combustíveis fósseis, as montadoras chinesas ampliam sua participação nas vendas globais de veículos. E os mercados emergentes estão entre os principais motores do crescimento desses modelos, com as vendas crescendo 75% na América Latina em 2025 e mais do que dobrando no Sudeste Asiático. O InfluenceMap analisou o engajamento de montadoras japonesas e chinesas no Brasil, na Colômbia e na Indonésia, que estão adotando políticas para acelerar a descarbonização do transporte.
Em cada país, a respectiva associação setorial – Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) no Brasil, Asociación Nacional de Movilidad Sostenible (ANDEMOS) na Colômbia e Gabungan Industri Kendaraan Bermotor Indonesia (GAIKINDO) na Indonésia – atua como principal canal de engajamento político do setor. E geralmente se opõem a medidas destinadas a acelerar a transição para VEs.
Em geral, as montadoras japonesas ocupam mais posições de liderança nessas associações, que frequentemente reproduzem as narrativas defendidas pela indústria nipônica. Já as fabricantes chinesas tendem a ocupar posições menos relevantes nas entidades, ou sequer são associadas.
Em tempo: O “eletroestado” chinês continua a toda. O país lançou um plano para ampliar a produção de caminhões pesados elétricos. A meta do Ministério dos Transportes chinês é atingir 40% de participação de mercado e uma frota superior a 1,6 milhão de veículos até 2030, detalha a Bloomberg. Outras metas anunciadas pelo órgão incluem a eletrificação de mais de 80% das linhas fixas de curta distância em regiões-chave e o transporte de 18% do volume de carga rodoviária por esses veículos. Esses objetivos se articulam com a implantação de infraestrutura dedicada, incluindo cerca de 3.000 estações de carregamento e troca de baterias para caminhões pesados e 30.000 quilômetros de corredores de carga com emissão zero de carbono ao longo das principais rodovias expressas.



