
O BNDES anunciou, na 2ª feira (15/6), a aprovação de R$ 500 milhões para financiar a construção de uma nova planta de etanol de milho da FS em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. A unidade terá capacidade de processamento de até 1,2 milhão de toneladas de milho e produção anual de até 540 milhões de litros de etanol.
O custo total do projeto é de R$ 2,07 bilhões – portanto, os recursos aprovados pelo banco representam quase 25% desse valor. A operação envolve recursos do Fundo Clima e da linha BNDES Finem voltada à produção de alimentos e biocombustíveis, informam Capital Reset, eixos e Cenário Energia.
É fato que o etanol de milho pode contribuir para a descarbonização de veículos leves. Contudo, o grande questionamento é se um projeto convencional como este é prioritário para o Fundo Clima.
O Fundo Clima deve fomentar projetos estruturantes, capazes de criar novos caminhos de baixo carbono para a economia brasileira, alerta Délcio Rodrigues, diretor-executivo do ClimaInfo. Não é o caso de usinas de etanol de milho, que integram uma rota tecnológica conhecida (e consolidada) há décadas – a dos biocombustíveis – e não trazem grande inovação, reforça.
Rodrigues dá um exemplo do que seria um projeto estruturante: a eletrificação do transporte de cargas em longas distâncias. Afinal, o setor de transportes responde por cerca de 11% das emissões totais do país, e parte significativa desse volume é gerada por caminhões movidos a diesel fóssil.
No entanto, não se trata de optar por “isto ou aquilo”. O que está em jogo é o papel que o governo brasileiro deve assumir na descarbonização da economia nacional. Nesse sentido, o direcionamento dos recursos do Fundo Clima indicaria se o Estado investirá em inovação ou repetirá o “mais do mesmo” com processos já consolidados.
“O ponto vai além de escolher entre etanol de milho e eletrificação, mas decidir qual papel o Estado quer desempenhar na transição energética. O Fundo Clima não deveria apenas reduzir emissões na margem, financiando projetos de tecnologia já consolidada, mas sim abrir caminho para transformações estruturais que o mercado, sozinho, não consegue viabilizar. Em um contexto de restrição fiscal e de urgência climática, cada real investido implica uma escolha sobre o futuro da economia brasileira. Usá-lo para repetir o passado é desperdiçar uma oportunidade rara de construir o próximo ciclo de desenvolvimento”, reforça Rodrigues.



