
A possibilidade de um El Niño muito forte no segundo semestre preocupa produtores de commodities como cacau, café e açúcar em países tropicais. Com a confirmação do fenômeno pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e uma probabilidade maior de sua intensificação, efeitos como secas e chuvas extremas podem impactar tanto cultivos de inverno no Hemisfério Sul como o próximo ciclo agrícola.
A produção de cacau na África Ocidental, por exemplo, foi afetada pelo dobro de chuvas no último ciclo do El Niño (2023-24). A região, principal produtora da commodity, viu seus cacaueiros expostos a uma doença fúngica. Na época, as chuvas intensas também atingiram o terceiro maior produtor da cultura, o Equador. Resultado: os preços do cacau chegaram a quase triplicar em 2024, tornando o ingrediente do chocolate mais caro do que muitos metais industriais, destacam InfoMoney e CNN Brasil.
O El Niño também gera impactos no café robusta. O fenômeno pode reduzir chuvas e aumentar a temperatura no Sudeste Asiático, afetando o principal produtor mundial do grão, o Vietnã, e o terceiro maior produtor, a Indonésia, a partir do segundo semestre. Os dois países são responsáveis por cerca de 50% da produção global do robusta.
No Brasil, o “Super El Niño”, se confirmado, também poderá intensificar seca e calor nas regiões cafeeiras no quarto trimestre, quando a safra estará em desenvolvimento. Assim, o fenômeno pode prejudicar a produção de 2027, informa o Jornal de Brasília.
Ainda no cenário nacional, o açúcar é impactado pelo aumento das chuvas nas regiões produtoras, o que pode prejudicar e reduzir a qualidade da colheita de cana. O Brasil é o principal produtor da commodity, ou seja, o impacto será sentido também nos mercados globais.
A Reuters lembra que agricultores já enfrentam neste ano choques nos preços de fertilizantes e de diesel provocados pela guerra no Oriente Médio.



