Guerra no Oriente Médio pode aumentar interesse no hidrogênio, aponta a IEA

Apesar disso, custos altos, demanda incerta, regulações complexas e falta de infraestrutura continuam atrasando hidrogênio de baixa emissão.
18 de junho de 2026
hidrogênio
iea.org
Resumo
  • Interesse renovado no hidrogênio, mas escala ainda distante: a demanda global por hidrogênio superou 100 milhões de toneladas em 2025, mas a versão de baixa emissão ainda representa menos de 1% desse total.
  • Projetos recuam e metas de 2030 ficam distantes: o número de projetos anunciados para hidrogênio de baixa emissão até 2030 caiu 25% em um ano, e os com decisão final de investimento encolheram de 10 milhões para 6 milhões de toneladas.
  • China domina eletrolisadores, mas até lá ritmo desacelera: o país concentrou 75% das novas instalações em 2025, dobrando a capacidade global para 4 GW. Ainda assim, as decisões de investimento em novos projetos de eletrólise caíram pela primeira vez.
  • Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã interromperam a produção e o comércio globais de produtos à base de hidrogênio, o que expôs vulnerabilidades nas cadeias de suprimentos de fertilizantes, químicos e refino de petróleo. Por isso, a crise renovou o interesse no energético e nos combustíveis à base de hidrogênio como opções para fortalecer a segurança energética a longo prazo. No entanto, o hidrogênio de baixa emissão – um possível combustível de transição energética – ainda está longe da escala necessária para fornecer uma resposta imediata.

    É o que mostra o relatório Global Hydrogen Review 2026, lançado pela Agência Internacional de Energia (IEA) na 5ª feira (18/6). Segundo o documento, a demanda mundial por hidrogênio ultrapassou 100 milhões de toneladas em 2025, enquanto a produção de hidrogênio de baixa emissão cresceu 20%, chegando a quase 1 milhão de toneladas. Mas barreiras persistentes – como custos elevados, demanda incerta, regulamentações complexas e falta de infraestrutura – continuam a retardar o desenvolvimento do combustível de baixa emissão, tornando as metas de 2030 anunciadas pelos governos cada vez mais inatingíveis, destaca a IEA.

    A produção de hidrogênio de baixa emissão deverá atingir um novo recorde em 2026 e ultrapassar 1% da produção global do produto pela primeira vez. Contudo, apesar do progresso contínuo, o ritmo de investimento diminuiu no ano passado, com atrasos nas decisões e uma redução na carteira de projetos, o que evidencia os desafios enfrentados pelo setor.

    Apesar do apoio político em alguns mercados, o hidrogênio de baixa emissão e os produtos à base do combustível permanecem significativamente mais caros do que as alternativas convencionais. Assim, o número de projetos anunciados para produção de hidrogênio de baixa emissão até 2030 diminuiu em 25% desde o ano passado, para 27 milhões de toneladas. Os projetos que já têm decisão final de investimento ou com grande probabilidade de entrar em operação até 2030 caíram de 10 milhões de toneladas para pouco mais de 6 milhões de toneladas.

    Com preços ainda (muito) altos, a demanda continua sendo um desafio. O volume de hidrogênio de baixa emissão coberto por novos contratos de fornecimento permaneceu baixo em 2025, praticamente inalterado em relação ao ano anterior. Apenas cerca de 20% dos volumes recém-contratados foram respaldados por compromissos contratuais firmes. Essa falta de certeza quanto à demanda continua sendo citada pelos desenvolvedores como uma das maiores barreiras ao investimento.

    A China continua liderando a implantação de eletrolisadores, com cerca de 75% das novas instalações em 2025, enquanto a capacidade instalada global dobrou para 4 gigawatts (GW). Entretanto, o relatório aponta sinais de desaceleração, com as decisões de investimento em novos projetos para a produção de hidrogênio por eletrólise diminuindo pela primeira vez.

    “Os países estão buscando maneiras de tornar seus sistemas energéticos mais resilientes e diversificados. O hidrogênio de baixa emissão pode desempenhar um papel importante nesses esforços, mas um apoio político mais robusto e uma implementação muito mais rápida serão necessários para que ele possa dar uma contribuição significativa em larga escala”, avaliou o diretor executivo da IEA, Fatih Birol.

    • Em tempo: A Petrogal Brasil - joint venture entre as petrolíferas Galp, de Portugal, e a Sinopec, da China -, o Senai Cimatec e a Hytron inauguraram uma planta-piloto de hidrogênio verde em Camaçari, na Bahia, informa a Megawhat. Com investimento superior a R$ 40 milhões, o Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono e Hidrogênio Verde tem como objetivo acelerar o desenvolvimento da cadeia produtiva do H₂V e fomentar a inovação tecnológica.

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