
A insegurança energética causada pelos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que reduziram a oferta global de combustíveis fósseis e provocaram uma disparada dos preços, não entrou no radar da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O cartel que reúne os maiores produtores de combustíveis fósseis do mundo continua apostando no aumento da demanda por óleo cru até 2050 – a urgência climática e as contas públicas de centenas de nações que sofreram com o atual choque do petróleo que esperem. Além disso, a OPEP rejeita a projeção da Agência Internacional de Energia (IEA), que prevê excedente de oferta em 2027 devido à guerra no Oriente Médio, apesar de haver certa recuperação da demanda.
Em entrevista à CNBC, repercutida por Financial Times e ADVFN, o secretário-geral da OPEP, Haitham al-Ghais, disse que ”às vezes é melhor não fazer tais suposições quando elas não são realmente baseadas em fatos e números”. “O que a IEA vê que a OPEP e o resto não veem?”, disse ele. “[Nós nos concentramos] nos fundamentos e não em muitas suposições e ressalvas em nossas previsões, mas sim em números concretos. Não estamos interessados em criar manchetes chamativas. Às vezes, é melhor não fazer suposições desse tipo… quando elas não se baseiam em fatos e números reais.”
Não se pode negar que a guerra reduziu a demanda por petróleo, mesmo que à força, já que alguns países racionaram a oferta de combustíveis fósseis. O banco Goldman Sachs calculou uma queda de até 5 milhões de barris por dia (bpd) em abril. É uma incógnita se de fato tal redução se transformará em uma destruição da demanda efetiva – a própria IEA projetou neste mês um crescimento do consumo de 2 milhões de bpd em 2027, após queda de 1,1 milhão de barris diários neste ano. Mas o aperto financeiro que a atual crise provocou em várias nações, combinado ao contínuo barateamento de tecnologias de energia renovável, como as baterias, parece confirmar a previsão de pico da demanda petrolífera até 2030.
Mas não para a OPEP. Em seu relatório World Oil Outlook, lançado na 5ª feira (18/6), o cartel continua ignorando um pico para o consumo de petróleo, informam Valor, Reuters e Wall Street Journal. O documento projeta que a demanda petrolífera deverá alcançar 124,1 milhões de barris diários em 2050, ante 105,1 milhões de bpd em 2025. A nova estimativa é superior à apresentada no relatório do ano passado, que apontava uma demanda de 122,9 milhões de bpd em 2050, destaca o UOL.
A projeção da OPEP para a demanda em 2030 também foi elevada, de 112,3 milhões para 113,3 milhões de bpd. Segundo o cartel, o consumo deve continuar avançando sustentado por mudanças recentes em políticas energéticas, preocupações com segurança energética – justamente o que a guerra no Oriente Médio provou que os combustíveis fósseis não garantem -, crescimento econômico e expansão populacional nos países em desenvolvimento.
Quanto à oferta do combustível fóssil, a OPEP destaca o Brasil como um dos principais responsáveis por sua expansão nos próximos anos, informam Estadão e CNN Brasil – o documento cita o possível petróleo da Foz do Amazonas. A entidade aponta o país ao lado de Catar, Argentina e Canadá como um dos motores do crescimento da produção fora da Declaração de Cooperação (DoC), grupo que reúne integrantes do cartel e seus aliados.



