Trump recua em plano para acabar com monitoramento oceânico

Decisão é anunciada após reação tanto de parlamentares democratas quanto de republicanos para barrar a medida.
21 de junho de 2026
trump monitoramento oceânico
André Motta de Souza / Agência Petrobras
Resumo
  • Suspensa desmontagem da rede de monitoramento oceânico dos EUA: a NSF recuou no plano de desmantelar a OOI após pressão bipartidária no Congresso; deputados democratas acusaram a agência de agir ilegalmente.
  • Parte da infraestrutura já foi removida, e reinstalação pode levar meses: a NSF já havia retirado seis das sete boias de ancoragem na costa de Oregon e Washington. Encontrar embarcações para recolocá-las pode levar vários meses - o que significa que o dano ao monitoramento já está em curso.
  • Rede é base de 500 publicações científicas e dados públicos sobre clima: a OOI monitora há uma década a circulação oceânica, ecossistemas marinhos e eventos climáticos extremos, com mais de 900 sensores. O projeto tinha previsão de operar por mais 15 a 20 anos antes de ser ameaçado pelo governo Trump.
  • A Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF, sigla em Inglês) informou, na 5ª feira (18/6), que suspendeu a decisão de desmantelar a Iniciativa de Observatórios Oceânicos (OOI, sigla em Inglês). O sistema de monitoramento é considerado essencial para o estudo das mudanças climáticas e dos ecossistemas marinhos, destacam New York Times e Folha.

    O recuo ocorreu após a reação tanto de parlamentares democratas quanto de republicanos. Na 2ª feira (15/6), os parlamentares enviaram cartas à NSF pedindo a reversão da decisão. Deputados democratas foram além e acusaram a agência de agir ilegalmente.

    A OOI é uma rede com mais de 900 sensores oceânicos, construída a um custo de US$ 386 milhões, explica a AP. Ao longo da última década, a iniciativa monitorou a circulação oceânica, os ecossistemas marinhos, as mudanças climáticas e eventos climáticos extremos , produzindo dados disponíveis gratuitamente ao público e subsidiando mais de 500 publicações científicas.

    O projeto tinha previsão de duração de mais 15 a 20 anos. No entanto, em 21 de maio, foi confirmado que a NSF havia iniciado um processo de “redução do escopo”. Na prática, seria uma desmontagem de quase toda a rede, com a desativação, até 2027, da infraestrutura subaquática de quatro de seus cinco conjuntos de instrumentos implantados no Pacífico, na costa atlântica dos EUA e nas águas próximas à Groenlândia e à Islândia.

    A NSF afirmou que já havia retirado algumas boias, sensores e outros instrumentos da água na costa dos estados de Oregon e Washington, mas que estava “desenvolvendo planos para reinstalar os equipamentos após manutenção”. Segundo Edward Dever, professor de oceanografia na Universidade Estadual de Oregon que ajuda a gerenciar os instrumentos na região, a agência havia removido seis das sete boias de ancoragem da área, e encontrar embarcações para recolocá-las poderia levar vários meses.

    Bloomberg, Scientific American e CNN também noticiaram o recuo da NSF.

    • Em tempo 1: Os EUA continuam investindo bilhões de dólares em projetos climáticos, apesar dos ataques de Donald Trump à agenda do clima, mostra um levantamento do Independent. Os investimentos demonstram como a ação climática está agora mais ou menos "integrada" à atividade econômica global, independentemente da agenda política específica de qualquer país - e das loucuras dos ocupantes do poder de ocasião.

    • Em tempo 2: Em casa, Donald Trump continua sua empreitada - custosa para os cidadãos estadunidenses, vale lembrar - contra as fontes renováveis de energia. O governo anunciou que está recomprando os direitos de exploração de energia eólica offshore nos EUA da Invenergy, no valor de US$ 765 milhões, informam New York Times, Financial Times, Reuters e AP. Com a nova tentativa do “agente laranja” de desencorajar a expansão da energia eólica em favor dos combustíveis fósseis, o valor total gasto na recompra desses contratos chega a quase US$ 2,6 bilhões.

    • Em tempo 3: Mesmo com a agenda pró-combustíveis fósseis de Donald Trump, cerca de dois terços da população dos EUA afirmam estar preocupados com as mudanças climáticas e continuam apoiando medidas para enfrentá-las, informam Guardian e Um só planeta. Os dados são de pesquisas conduzidas pela Universidade Yale, que mostram estabilidade nesse nível de preocupação entre os estadunidenses, mesmo em períodos em que outros assuntos, como inflação e conflitos internacionais, dominam o debate público.

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