
Mais de 100 grandes empresas globais – incluindo a suíça Nestlé, a sueca Ikea e a brasileira Natura -, instaram os governos a fazerem da eletrificação um elemento central de suas estratégias econômicas. Somente assim será possível reduzir a exposição à volatilidade dos custos dos combustíveis fósseis e reforçar a segurança energética, avaliam.
Em uma declaração pública apoiada por 112 empresas de setores como indústria, bens de consumo e saúde, as corporações afirmam que a exposição a choques de preços dos combustíveis fósseis, como o causado pelos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã – prejudica a competitividade, informa a Reuters. O grupo soma receitas anuais de US$ 1,15 trilhão, informam Poder 360 e Oil Price.
Coordenado pela We Mean Business Coalition e pela Global Renewables Alliance, o comunicado afirma que a dependência contínua de mercados de combustíveis voláteis, como o dos fósseis, atrasa investimentos necessários ao crescimento econômico. A exposição a petróleo, gás fóssil e carvão prejudica a competitividade e expõe as economias a interrupções que causam picos de preços e desestabilizam cadeias de suprimentos, reforça o manifesto.
A efetivação dessa mudança, contudo, dependerá fortemente de políticas e reformas governamentais claras e previsíveis. Isso inclui a melhoria do modelo do mercado de eletricidade, o investimento em redes elétricas e a agilização do processo de licenciamento, acrescenta o documento.
O manifesto foi divulgado no início da London Climate Action Week (LCAW), na 2ª feira (22/6), na esteira do impacto do conflito no Oriente Médio sobre os combustíveis fósseis. O movimento também se alinha à proposta feita na SB64, em Bonn, pela Turquia, sede da COP31, de que a eletricidade responda por 35% da demanda mundial de energia até 2035.
Na LCAW, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, ressaltou que a atual crise energética impulsionará a eletrificação global, à medida que os países buscam melhorar sua segurança energética e se proteger de choques nos preços dos combustíveis fósseis, informa a Reuters. A mesma avaliação foi feita na semana passada pela diretora-executiva da COP30, Ana Toni.
“Durante muito tempo, a segurança energética foi associada ao uso de combustíveis fósseis. O que a crise atual está mostrando é justamente o contrário: em muitos casos, é a dependência dos combustíveis fósseis que está gerando insegurança energética. Isso está levando os países a rever esse conceito e reforçando o papel das energias renováveis nesse processo”, explicou a CEO da conferência do clima de Belém, em entrevista ao Jota.



