
O conselho de administração da Petrobras aprovou um investimento de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões) para a produção de combustíveis renováveis na refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP). As obras devem ser iniciadas ainda neste ano.
O projeto prevê uma planta com capacidade de produção de até 15 mil barris por dia de bioQAV (querosene de aviação) e de diesel “renovável”, com entrada em operação prevista para 2030, informam Folha, Forbes Brasil, Times Brasil, SBT News e Brasil 247. É menos de 1% da capacidade total de refino da empresa, atualmente em torno de 1,85 milhão de barris diários.
Apesar disso, a estatal afirmou, em comunicado ao mercado divulgado no início da noite de 6ª feira (19/6), que “o projeto está alinhado ao comprometimento da Petrobras em liderar a transição energética justa no país e aos compromissos globais do setor de aviação”.
O bioQAV será necessário para o cumprimento das metas da aviação global e do programa Combustível do Futuro, que prevê a descarbonização do setor aéreo brasileiro. Já o diesel renovável é uma das principais apostas da petrolífera para a descarbonização de sua carteira de produtos.
É importantíssimo lembrar também que o Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras prevê investimentos totais de US$ 109 bilhões. Ou seja, o investimento na nova planta de combustíveis renováveis equivale a pouco mais de 1% desse total. Enquanto os recursos previstos para exploração e produção de petróleo e gás fóssil somam US$ 78 bilhões.
Diante desses números, fica a pergunta: transição energética justa onde? Só se for nas propagandas de TV e nas redes sociais, onde a Petrobras investe muito.
Em tempo: Um estudo do Instituto Internacional Arayara mostra que o sistema financeiro nacional mantém uma exposição consolidada de US$ 45,4 bilhões (R$ 234 milhões) em ativos direcionados à cadeia de petróleo, gás fóssil e carvão, informa o Cenário Energia. Juntos, BNDES, Previ (caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil) e Itaú Unibanco respondem por US$ 21,5 bilhões do volume mapeado. Também integram a lista de financiadores BTG Pactual, Bradesco, Caixa, Banco do Brasil, Clássico, Safra Group e Dynamo Administração de Recursos.



