
Baseada em produtos da floresta e no trabalho de comunidades locais, a sociobioeconomia movimenta uma economia relevante na Amazônia. Para promover o uso sustentável dos recursos naturais, com foco em inovação, inclusão social e geração de renda, o governo federal lançou, em abril, o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). No entanto, a sociobioeconomia é historicamente invisibilizada no planejamento de infraestrutura da região amazônica, incluindo energia e transportes.
A sociobioeconomia é o tema da nova edição do podcast “Diálogos para o Desenvolvimento e a Infraestrutura que Queremos”, do GT Infraestrutura, rede de organizações da sociedade civil que promove modelos de desenvolvimento sustentáveis e baseados na Justiça Socioambiental. No episódio, Fábio Galdino, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), fala do estudo “Mapeamento da sociobioeconomia: Bases para políticas de inclusão energética na Amazônia Legal”, lançado pelo Iema em novembro do ano passado.
O relatório reúne, pela primeira vez, evidências quantitativas e qualitativas sobre os territórios extrativistas da região, sua produção e o acesso à energia elétrica, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo destaca o papel essencial das famílias que vivem da floresta na geração de valor e renda, na segurança alimentar e na conservação ambiental, mostrando que as atividades extrativistas e a agricultura familiar sustentam a sociobioeconomia.
De acordo com o Iema, há mais de 160 mil estabelecimentos na Amazônia Legal ligados ao extrativismo. Desse total, 85% são de pequenos produtores e de propriedades familiares. E o desenvolvimento dessa cadeia produtiva está limitado por problemas na oferta de energia e na logística de transporte.
“A eletricidade é importante para a conservação de produtos, mas também para fornecer energia motriz para máquinas e calor para secagem de produtos. A falta de infraestrutura elétrica impede que se beneficie produtos e agregue valor a eles, o que melhoraria o rendimento dos produtores. E a falta de transporte prejudica o escoamento da produção”, explica Galdino.
Os dados da pesquisa foram usados na avaliação estratégica do Plano Nacional de Logística 2050, que pela primeira vez incluiu produtos da sociobioeconomia. A expectativa é que essa inclusão seja o primeiro passo para um novo modelo de planejamento que reconheça e integre essa economia aos investimentos públicos.



