Sociobioeconomia da Amazônia é limitada por gargalos de infraestrutura

Promoção da cadeia produtiva do açaí, da castanha do Brasil e do babaçu é travada por problemas na oferta energética e na logística de transporte.
22 de junho de 2026
sociobioeconomia
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Resumo
  • A sociobioeconomia amazônica segue invisível no planejamento: são mais de 160 mil estabelecimentos extrativistas na Amazônia Legal, dos quais 85% são familiares. Apesar do PNDBio lançado em abril, as cadeias produtivas do açaí, da castanha e do babaçu ainda são excluídas dos investimentos em infraestrutura.
  • A falta de energia e de transporte travam a agregação de valor na floresta: sem eletricidade adequada, produtores não conseguem conservar, beneficiar ou secar produtos. Sem logística, a produção não escoa. Os dois gargalos combinados limitam a renda das famílias e o potencial econômico do extrativismo sustentável.
  • Os dados do mapeamento realizado pelo Iema entraram no Plano Nacional de Logística 2050: o trabalho serviu de base para a inclusão dos produtos da sociobioeconomia no planejamento logístico federal - um primeiro passo para integrar essa economia aos investimentos públicos estruturantes.
  • Baseada em produtos da floresta e no trabalho de comunidades locais, a sociobioeconomia movimenta uma economia relevante na Amazônia. Para promover o uso sustentável dos recursos naturais, com foco em inovação, inclusão social e geração de renda, o governo federal lançou, em abril, o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). No entanto, a sociobioeconomia é historicamente invisibilizada no planejamento de infraestrutura da região amazônica, incluindo energia e transportes.

    A sociobioeconomia é o tema da nova edição do podcast “Diálogos para o Desenvolvimento e a Infraestrutura que Queremos”, do GT Infraestrutura, rede de organizações da sociedade civil que promove modelos de desenvolvimento sustentáveis e baseados na Justiça Socioambiental. No episódio, Fábio Galdino, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), fala do estudo “Mapeamento da sociobioeconomia: Bases para políticas de inclusão energética na Amazônia Legal”, lançado pelo Iema em novembro do ano passado.

    O relatório reúne, pela primeira vez, evidências quantitativas e qualitativas sobre os territórios extrativistas da região, sua produção e o acesso à energia elétrica, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo destaca o papel essencial das famílias que vivem da floresta na geração de valor e renda, na segurança alimentar e na conservação ambiental, mostrando que as atividades extrativistas e a agricultura familiar sustentam a sociobioeconomia.

    De acordo com o Iema, há mais de 160 mil estabelecimentos na Amazônia Legal ligados ao extrativismo. Desse total, 85% são de pequenos produtores e de propriedades familiares. E o desenvolvimento dessa cadeia produtiva está limitado por problemas na oferta de energia e na logística de transporte.

    “A eletricidade é importante para a conservação de produtos, mas também para fornecer energia motriz para máquinas e calor para secagem de produtos. A falta de infraestrutura elétrica impede que se beneficie produtos e agregue valor a eles, o que melhoraria o rendimento dos produtores. E a falta de transporte prejudica o escoamento da produção”, explica Galdino.

    Os dados da pesquisa foram usados na avaliação estratégica do Plano Nacional de Logística 2050, que pela primeira vez incluiu produtos da sociobioeconomia. A expectativa é que essa inclusão seja o primeiro passo para um novo modelo de planejamento que reconheça e integre essa economia aos investimentos públicos.

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