
Após o Met Office prever temperaturas de 40°C no Reino Unido, cientistas voltaram a alertar que os políticos não estão compreendendo a magnitude da crise climática e que cidades europeias não estão preparadas para as temperaturas extremas. A segunda onda de calor do ano no continente deve bater recordes de temperatura para junho.
“Há uma triste inevitabilidade em tudo isso, com cientistas como eu repetindo as mesmas declarações ano após ano. Sim, é mudança climática; sim, somos nós os responsáveis; não, não é o El Niño“, afirma Friederike Otto, professora do Imperial College London, no Independent. “Toda onda de calor coloca vidas em risco, e já passou da hora de tratarmos o problema com a urgência que ele exige”.
As temperaturas extremas coincidem com a Semana de Ação Climática de Londres (LCAW). A organização do evento providenciou ar condicionado e água para o público, mas há limites ao resfriamento. Edificações e infraestrutura do continente europeu não foram projetadas para o clima atual, lembram The Guardian e The Times.
Na França, o governo confirmou 40 mortes por afogamento em todo o país desde 18 de junho, sendo a maior parte das vítimas pessoas jovens, informa o Guardian. Devido à temperatura de 46°C na região de Toulouse, um dos reatores de uma usina nuclear foi desligado, após a temperatura da água do rio Garonne, usada para resfriar a planta, subir acima dos limites operacionais seguros, destaca o London Loves Business. Em Paris, escolas e pontos turísticos, como a Torre Eiffel e o Louvre, foram fechados mais cedo devido ao calor.
A infraestrutura ferroviária também foi afetada pelas temperaturas extremas, com trilhos se deformando e cabos de energia se rompendo em Paris e na Bélgica. Segundo o francês Le Monde, houve atrasos e cancelamentos de viagens e foram emitidos alertas para viajantes com problemas de saúde, recomendando que evitassem a exposição ao calor.
Operário da construção civil de 31 anos que trabalhava em uma obra na capital francesa, Vadim Bobu disse ao RFI que “está ficando um pouco insuportável; está muito quente”. Mas completou: “Não temos escolha, precisamos pagar as contas”. O que escancara ainda mais a injustiça climática, que sempre penaliza mais quem menos contribui para a crise climática.
AP, France 24, Al Jazeera, Reuters e Folha também repercutiram o calor extremo que frita parte da Europa.



