Acordo provisório trava avanço da mineração da Belo Sun no Xingu

Licença de instalação segue no centro da disputa; acordo impede qualquer intervenção física no empreendimento por 60 dias.
25 de junho de 2026
mineração belo sun xingu
Divulgação (via Repórter Brasil)
Resumo
  • Acordo trava mineração no Xingu por 60 dias: audiência no TRF1 resultou em acordo provisório que impede qualquer intervenção física no projeto da Belo Sun na Volta Grande do Xingu. A FUNAI tem 30 dias para definir quais comunidades devem ser consultadas; a empresa, mais 30 para responder.
  • Maior mina de ouro a céu aberto do país: a canadense Belo Sun quer instalar o empreendimento numa região já devastada por Belo Monte. MPF e lideranças indígenas contestam a licença concedida pelo Pará, argumentando que o licenciamento deveria ser do IBAMA, por afetar rios federais e Terras Indígenas.
  • Consulta indígena no centro do litígio: indígenas e organizações sociais apontam falhas graves no processo de consulta às Comunidades Tradicionais. A Belo Sun alega ter cumprido a Convenção 169 da OIT, mas o MPF contesta que o procedimento foi feito por empresa privada, não pelo Estado.
  • A audiência de conciliação sobre o projeto de mineração da Belo Sun na Volta Grande do Rio Xingu, realizada na 4ª feira (24/6) pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, culminou em acordo provisório que estabelece prazos para novas manifestações da FUNAI e da empresa canadense. Com a licença de instalação no centro da disputa, o acordo impede qualquer intervenção física no empreendimento por 60 dias, informa ((o))eco.

    A Belo Sun quer instalar na região – que já abriga a hidrelétrica de Belo Monte, um “monstrengo” ambiental – a maior mina de ouro a céu aberto do país. Por conta disso, o projeto sofre diversos questionamentos jurídicos e técnicos relacionados aos seus impactos socioambientais, aponta a REPAM

    Segundo a decisão acordada no TRF1, a FUNAI terá 30 dias para apresentar critérios e indicar quais comunidades aldeadas (que estão em Terras Indígenas já demarcadas, como Juruna e Arara) e desaldeadas (indígenas e ribeirinhos que vivem fora das demarcações, mas estão na área de impacto do projeto) devem ser incluídas no processo de consulta. Posteriormente, a Belo Sun terá mais 30 dias para analisar o material e apresentar suas condições.

    Nestes 60 dias, também devem acontecer dois encontros entre FUNAI e Belo Sun. Além disso, há a possibilidade de uma nova audiência para acompanhamento das negociações.

    Um dos nós jurídicos do projeto é a competência do licenciamento, explica o g1. A licença concedida pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Semas) é contestada na Justiça Federal pelo Ministério Público Federal (MPF) e lideranças indígenas. Segundo o MPF, o licenciamento deve ser feito pelo IBAMA, já que o empreendimento afeta diretamente rios federais e TIs.

    Indígenas e organizações sociais alegam falhas no processo de consulta feito pela Semas às Comunidades Tradicionais, além de apontar que os impactos socioambientais não foram plenamente avaliados, informa o Estado do Pará. Por isso, pedem a suspensão imediata da autorização – enquanto a Belo Sun tenta flexibilizar 21 das 89 condicionantes impostas pela Semas.

    Em março, o MPF questionou a Belo Sun, que disse ter respeitado a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – que obriga a consulta livre, prévia e informada a Comunidades Tradicionais – com as etnias Juruna e Arara, situadas no raio de 10 km do projeto. No entanto, o órgão judicial afirma que a consulta foi conduzida por uma empresa privada, mas o procedimento deve ser feito pelo Estado.

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