
O governo federal oficializou um novo gasto, de R$ 223,5 milhões, na BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O contrato foi firmado pela Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amazonas com a construtora Etam.
O contrato se destina ao trecho entre os quilômetros 513,80 e 656,40 da BR-319, com extensão de 142 quilômetros. O escopo da atividade envolve intervenções como tapa-buracos, limpeza de valas de escoamento e reparos imediatos na base da pista de rolamento, segundo o Vocativo.
Em maio, o DNIT homologou a vitória da Etam no edital de pavimentação do trecho da BR-319 entre os quilômetros 469 e 590 da estrada, por R$ 362 milhões, um preço bem abaixo dos R$ 430 milhões previstos pelo órgão. Com o novo contrato, a Etam embolsará R$ 585,5 milhões.
A Etam foi alvo de investigações da Polícia Federal por corrupção. A Operação Ptolomeu mirou na gestão de Gladson Cameli (PP), ex-governador do Acre, que renunciou ao cargo para concorrer ao Senado. Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Cameli a 25 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
Os investigadores apuraram desvios cometidos pela Etam em obras de infraestrutura e de manutenção de unidades de saúde e de escolas no estado – o pai de Gladson Cameli é sócio-administrador da construtora. Em 2023, a empresa chegou a ter a “atividade de natureza econômica” suspensa por 90 dias pelo STJ como desdobramento das investigações.
As obras na BR-319 viraram moeda de troca do presidente Lula para buscar apoio político na Região Norte. Mesmo sem licenciamento, o governo promoveu licitações para pavimentar a rodovia. O que é objeto de ação judicial.
Os riscos socioambientais, sanitários e humanitários do asfaltamento da rodovia foram mencionados em uma carta entregue por pesquisadores de 14 instituições brasileiras e internacionais ao Vaticano na semana passada, informa ((o))eco. O documento também chamou a atenção para as ameaças da mineração de potássio em Autazes (AM) e para o enfraquecimento do licenciamento ambiental no Brasil.



