Construtora sob suspeita acumula contratos de R$ 585 milhões na BR-319

Empreiteira que já foi alvo da PF por corrupção vence mais um contrato do DNIT para atuar na rodovia, agora em atividades de manutenção.
25 de junho de 2026
construtora br3 19
Divulgação
Resumo
  • Contrato com empreiteira suspeita: o DNIT firmou novo contrato de R$ 223,5 milhões com a construtora Etam para manutenção da BR-319. Já são R$ 585,5 milhões em acordos com a empresa, que já foi alvo da PF por corrupção e teve atividades suspensas pelo STJ em 2023.
  • Esquema de corrupção: a Etam é ligada ao ex-governador do Acre Gladson Cameli, cujo pai é sócio-administrador da construtora. Em maio, o STJ condenou Cameli a quase 26 anos de prisão por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
  • Moeda política: sem licenciamento ambiental, o governo Lula avança nas licitações para asfaltar a BR-319 em busca de apoio político no Norte. Os contratos são contestados judicialmente, e pesquisadores de 14 instituições alertaram o Vaticano sobre os riscos socioambientais do asfaltamento e de outras ameaças à Amazônia.
  • O governo federal oficializou um novo gasto, de R$ 223,5 milhões, na BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O contrato foi firmado pela Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amazonas com a construtora Etam.

    O contrato se destina ao trecho entre os quilômetros 513,80 e 656,40 da BR-319, com extensão de 142 quilômetros. O escopo da atividade envolve intervenções como tapa-buracos, limpeza de valas de escoamento e reparos imediatos na base da pista de rolamento, segundo o Vocativo.

    Em maio, o DNIT homologou a vitória da Etam no edital de pavimentação do trecho da BR-319 entre os quilômetros 469 e 590 da estrada, por R$ 362 milhões, um preço bem abaixo dos R$ 430 milhões previstos pelo órgão. Com o novo contrato, a Etam embolsará R$ 585,5 milhões.

    A Etam foi alvo de investigações da Polícia Federal por corrupção. A Operação Ptolomeu mirou na gestão de Gladson Cameli (PP), ex-governador do Acre, que renunciou ao cargo para concorrer ao Senado. Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Cameli a 25 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

    Os investigadores apuraram desvios cometidos pela Etam em obras de infraestrutura e de manutenção de unidades de saúde e de escolas no estado – o pai de Gladson Cameli é sócio-administrador da construtora. Em 2023, a empresa chegou a ter a “atividade de natureza econômica” suspensa por 90 dias pelo STJ como desdobramento das investigações.

    As obras na BR-319 viraram moeda de troca do presidente Lula para buscar apoio político na Região Norte. Mesmo sem licenciamento, o governo promoveu licitações para pavimentar a rodovia. O que é objeto de ação judicial.

    Os riscos socioambientais, sanitários e humanitários do asfaltamento da rodovia foram mencionados em uma carta entregue por pesquisadores de 14 instituições brasileiras e internacionais ao Vaticano na semana passada, informa ((o))eco. O documento também chamou a atenção para as ameaças da mineração de potássio em Autazes (AM) e para o enfraquecimento do licenciamento ambiental no Brasil.

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