
Os países mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas e um conjunto de importantes bancos de desenvolvimento lançaram na 3ª feira (23/6) o Pacto de Vulnerabilidade à Viabilidade (V2V). A iniciativa tem como objetivo desbloquear financiamento mais barato e previsível para nações que enfrentam choques climáticos cada vez mais frequentes e custos de dívida crescentes.
O acordo, firmado pelo Fórum de Países Vulneráveis às Mudanças Climáticas (CVF) e ministros das finanças do V20 (Grupo dos 20 Vulneráveis), reúne 74 economias e mais de uma dezena de instituições multilaterais de crédito, informa a Reuters. Entre as instituições estão o Banco Mundial – cujo Plano de Ação sobre Mudanças Climáticas (CCAP, sigla em Inglês) vence em 30 de junho – e o Fundo da OPEP – cartel que reúne os maiores produtores de combustíveis fósseis do planeta.
O V2V foca no financiamento acessível e concessional, na mobilização de capital privado e no desenvolvimento de financiamento responsivo a choques, como empréstimos com cláusulas de suspensão de pagamentos, que ajudam os governos a manter os serviços essenciais durante as crises. Um esboço da iniciativa afirma que priorizaria investimentos nos setores de água, educação e saúde, que são “a base da segurança humana”. O que talvez explique a adesão da OPEP, já que não fala em transição para além de petróleo, gás e carvão.
O Barbados Today lembra que o V2V se baseia nos princípios da Iniciativa de Bridgetown – plano de reforma do sistema financeiro internacional liderado pela primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley. “Este pacto visa garantir não apenas a sobrevivência, mas também a viabilidade e a prosperidade. Nossos países merecem caminhos sustentáveis para o desenvolvimento, e isso só pode acontecer desbloqueando capital acessível”, disse Mia.
Impakter e US News também noticiaram o lançamento do Pacto V2V.
Em tempo: Este mês, o Banco Mundial alertou sobre os impactos cada vez mais profundos da crise climática. Ao mesmo tempo, propôs diluir ou mesmo deixar expirar seu próprio plano climático (CCAP), que descreve como o banco se alinhará ao Acordo de Paris e contribuirá para o financiamento climático. O CCAP está sob pressão dos EUA, que esperam que o banco flexibilize seus compromissos climáticos. “Não está certo, especialmente para as pessoas e comunidades nos países clientes do banco no Sul Global, que enfrentam uma luta cada vez mais difícil por alimentos, saúde e empregos diante da crise climática”, destacam Mohamed Adow, fundador e diretor da Power Shift Africa, e Sophie Richmond, líder global da Big Shift Global Campaign. “Enfraquecer os compromissos climáticos do Banco Mundial poderia levar os países a trilhar caminhos prejudiciais e obsoletos, que, em última análise, os afastariam das conquistas do desenvolvimento”, reforçam em artigo no Devex.



