Países vulneráveis à crise climática lançam iniciativa para financiamento

Iniciativa surge no momento em que países do Sul Global percebem que não podem contar somente com instituições financeiras tradicionais.
25 de junho de 2026
países vulneráveis crise climática
cvfv20.org
Resumo
  • Novo pacto climático-financeiro: 74 países vulneráveis ao clima e mais de uma dezena de bancos multilaterais lançaram o Pacto de Vulnerabilidade à Viabilidade (V2V), com foco em financiamento mais barato e previsível para nações que enfrentam choques climáticos e dívidas crescentes.
  • Foco nas necessidades básicas: a iniciativa prioriza investimentos em água, educação e saúde, sem mencionar a transição energética. Isso talvez explique a adesão do Fundo da OPEP, cartel dos maiores produtores de combustíveis fósseis do planeta.
  • Sul Global busca alternativas: o V2V se inspira na Iniciativa de Bridgetown, liderada pela premiê de Barbados, Mia Mottley, e surge num momento em que países do Sul Global percebem que não podem depender apenas das instituições financeiras tradicionais.
  • Os países mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas e um conjunto de importantes bancos de desenvolvimento lançaram na 3ª feira (23/6) o Pacto de Vulnerabilidade à Viabilidade (V2V). A iniciativa tem como objetivo desbloquear financiamento mais barato e previsível para nações que enfrentam choques climáticos cada vez mais frequentes e custos de dívida crescentes.

    O acordo, firmado pelo Fórum de Países Vulneráveis às Mudanças Climáticas (CVF) e ministros das finanças do V20 (Grupo dos 20 Vulneráveis), reúne 74 economias e mais de uma dezena de instituições multilaterais de crédito, informa a Reuters. Entre as instituições estão o Banco Mundial – cujo Plano de Ação sobre Mudanças Climáticas (CCAP, sigla em Inglês) vence em 30 de junho – e o Fundo da OPEP – cartel que reúne os maiores produtores de combustíveis fósseis do planeta.

    O V2V foca no financiamento acessível e concessional, na mobilização de capital privado e no desenvolvimento de financiamento responsivo a choques, como empréstimos com cláusulas de suspensão de pagamentos, que ajudam os governos a manter os serviços essenciais durante as crises. Um esboço da iniciativa afirma que priorizaria investimentos nos setores de água, educação e saúde, que são “a base da segurança humana”. O que talvez explique a adesão da OPEP, já que não fala em transição para além de petróleo, gás e carvão.

    O Barbados Today lembra que o V2V se baseia nos princípios da Iniciativa de Bridgetown – plano de reforma do sistema financeiro internacional liderado pela primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley. “Este pacto visa garantir não apenas a sobrevivência, mas também a viabilidade e a prosperidade. Nossos países merecem caminhos sustentáveis para o desenvolvimento, e isso só pode acontecer desbloqueando capital acessível”, disse Mia.

    Impakter e US News também noticiaram o lançamento do Pacto V2V.

    • Em tempo: Este mês, o Banco Mundial alertou sobre os impactos cada vez mais profundos da crise climática. Ao mesmo tempo, propôs diluir ou mesmo deixar expirar seu próprio plano climático (CCAP), que descreve como o banco se alinhará ao Acordo de Paris e contribuirá para o financiamento climático. O CCAP está sob pressão dos EUA, que esperam que o banco flexibilize seus compromissos climáticos. “Não está certo, especialmente para as pessoas e comunidades nos países clientes do banco no Sul Global, que enfrentam uma luta cada vez mais difícil por alimentos, saúde e empregos diante da crise climática”, destacam Mohamed Adow, fundador e diretor da Power Shift Africa, e Sophie Richmond, líder global da Big Shift Global Campaign. “Enfraquecer os compromissos climáticos do Banco Mundial poderia levar os países a trilhar caminhos prejudiciais e obsoletos, que, em última análise, os afastariam das conquistas do desenvolvimento”, reforçam em artigo no Devex.

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