Seca e calor extremos agravam pobreza e desigualdade na Europa, mostra estudo

A cidade de Madri e áreas centrais da Hungria e da Espanha foram as regiões onde a renda familiar foi mais impactada pela crise climática.
25 de junho de 2026
seca e calor extremos europa
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Resumo
  • Calor e seca corroem a renda familiar: em média, uma onda de calor custa 0,7% da renda; uma seca, 1,8%; combinados, a perda chega a 3% - realidade cotidiana no sul europeu, segundo estudo do Climate Analytics.
  • Pobreza em escala continental: se o planeta aquecer 2,7°C - ritmo atual das emissões -, 127 milhões de pessoas entrarão em risco de pobreza na Europa, com queda de 27% na renda familiar.
  • Crise climática aprofunda desigualdade: Calor extremo e secas prolongadas derrubam produtividade, produção de alimentos e segurança hídrica. Quem já é mais vulnerável paga a conta proporcionalmente mais alta, e a Europa, continente que aquece mais rápido do planeta, está apenas no começo.
  • Eventos climáticos extremos de calor e seca estão aumentando a desigualdade de renda e empurrando milhões de pessoas para a pobreza em toda a Europa, mostra um estudo do Climate Analytics. As ondas de calor, potencializadas já consomem até 10% da renda das famílias no continente.

    Esse foi o custo silencioso de períodos de calor extremo e secas apenas na região de Madri entre 2004 e 2022, mostra a pesquisa. E vai piorar, caso os países do continente que mais rapidamente aquece no planeta não ataquem o ponto central do problema: as mudanças climáticas, causadas sobretudo pela queima de petróleo, gás e carvão, destaca a Folha.

    O estudo combinou dados de pesquisas domiciliares europeias de 2004 a 2022 com dados de alta resolução sobre temperatura e seca para encontrar a correlação entre risco de pobreza e eventos climáticos extremos, explica o Down to Earth. E constatou que, em média, uma onda de calor consome 0,7% da renda familiar, e uma seca, 1,8%. Quando combinados, a perda chega a 3% – uma realidade cotidiana de parte do sul europeu.

    “Consideramos um acúmulo de seca ao longo de seis meses. E, no final dos seis meses, uma onda de calor agravando os efeitos da seca”, exemplifica Jessie Schleypen, uma das autoras do estudo. Ela cita o encadeamento de eventos que levam à condição observada atualmente: inverno com pouca neve, verão com pouca umidade e ausência de chuvas. “E, no final dos seis meses, uma onda de calor, agravando os efeitos da seca.”

    Os números da queda de renda podem não parecer muito altos para o Brasil, onde a taxa de juros (Selic) gira há tempos em torno de dois dígitos. Mas é significativo para os padrões europeus. Em 2025, a inflação média anual na zona do euro foi de 2,1%.

    Calor extremo e secas prolongadas podem provocar efeitos como piora das condições de saúde, queda da produtividade no trabalho, declínio na produção de alimentos e insegurança hídrica – o que também impacta em serviços que utilizam água, como geração de energia e transportes.

    O estudo mostra que, caso o planeta aqueça 2,7°C – como mostra o ritmo atual de emissões dos países -, o número de pessoas sob risco de pobreza na Europa saltará para 127 milhões, com queda de 27% na renda familiar, informam Wion News e Climate Analytics.

    No período analisado, depois de Madri – o local com maior impacto da crise climática no orçamento familiar, com 10% -, as maiores perdas ocorreram em regiões centrais da Hungria (9,4%) e da Espanha (8,8%), mostra a análise.

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