
As temperaturas atingiram novos recordes no Reino Unido e na Suíça para o mês de junho na semana passada. A onda de calor que começou em 20 de junho e vem “torrando” a Europa Ocidental e Central já causou centenas de mortes, interrompeu o fornecimento de energia elétrica, cancelou eventos e levou ao fechamento de escolas e pontos turísticos.
Segundo o Met Office, a Suíça registrou 38°C na fronteira com a Alemanha e a França na 5ª feira (25/6). No mesmo dia, a Inglaterra registrou 36,7°C. Foi o dia mais quente já registrado em junho no Reino Unido, superando o recorde estabelecido no dia anterior, informa a Reuters.
A onda de calor está sendo impulsionada pelo “bloqueio Ômega”, que eleva as temperaturas em até 18°C acima do normal. Ao longo da semana, foram emitidos alertas vermelhos de calor em vários países – a Holanda foi um deles.
“É provável que ocorram perturbações significativas na vida cotidiana, e a população deve se esforçar ao máximo para adaptar suas rotinas a esses níveis de calor, que até agora eram extremamente raros no Reino Unido”, disse Andy Page, meteorologista-chefe do Met Office.
Por todo continente, pontos turísticos foram fechados. Em Paris, a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ foi adiada para setembro por causa do calor. O mesmo aconteceu com o festival de música Solidays, que reuniria cerca de 200 mil pessoas na capital francesa, relata a Folha.
Em toda a França, subiu para 55 o total de pessoas mortas por afogamento no país e autoridades temem que o número possa aumentar ainda mais ao longo do verão. Em Belgrado, na Sérvia, o governo pediu à população que permaneça em ambientes fechados durante as horas mais quentes do dia – na 6ª feira (26/6), foi emitido um alerta laranja, com previsão de 36°C.
O calor derreteu o asfalto de estradas na Alemanha e deformou trilhos de trens na Suécia, informa a Reuters. Já no Reino Unido, as altas temperaturas afetaram equipamentos de hospitais, como máquinas de ressonância magnética.
“Escolas fechando, pessoas vulneráveis morrendo, economias sofrendo com o calor: é assim que a crise climática se manifesta na prática, e isso é apenas o começo”, afirmou Simon Stiell, chefe de clima da ONU.
O ar-condicionado, que poderia causar algum alívio nos ambientes fechados, ainda é relativamente raro na Europa. Segundo dados de julho de 2025 da Agência Internacional de Energia (IEA), apenas 20% das residências europeias dispõem do aparelho. Por conta da atual onda de calor, fabricantes asiáticos de ar-condicionado relataram um boom de vendas na Europa.
Em tempo: Coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo esteve em Londres para a Semana de Ação Climática. Entre os debates sobre eletrificação e o mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis, presenciou o caos que o domo de calor na Europa levou à capital do Reino Unido. “As aulas foram suspensas. Linhas de metrô paravam por superaquecimento de trens e trilhos, estações eram fechadas. Um ônibus pegou fogo. Andar na rua era impossível, mas que ninguém ousasse procurar abrigo: são poucos os prédios londrinos com ar-condicionado, e menos ainda os que foram projetados para dissipar calor. O domo escancarou a falta de adaptação dos ingleses a um regime climático que é cada vez menos extraordinário e que já levou Londres aos 40 graus no auge do verão de 2023 – ano de El Niño, como 2026. Não é pouca ironia que o berço da Revolução Industrial, o lugar onde o capitalismo aprendeu a queimar combustíveis fósseis para gerar energia, se veja em meio a um extremo climático justamente nesse período.”



