Onda de calor na Europa mata milhares e avança pelo continente

Temperatura passou dos 40°C na Alemanha, na Polônia e na República Tcheca; impactos podem durar até 10 dias após a diminuição do calor.
29 de junho de 2026
onda de calor europa
Navy Medicine/ Flickr
Resumo
  • Mil mortes na França em três dias: o calor extremo está relacionado a mais de 1.000 óbitos no país em apenas 72 horas, 85% deles de pessoas com 65 anos ou mais. As mortes aumentaram 40% em hospitais, casas de repouso e residências - e os impactos podem durar até 10 dias após o fim do calor.
  • 191 milhões de europeus sob 40°C: quase um quarto da população do continente enfrentou temperaturas extremas no fim de semana, com recordes na Alemanha, Polônia, Hungria e República Tcheca. O calor reduziu o volume dos rios, prejudicou a geração de energia e afetou a agricultura.
  • Conta climática chegando: ondas de calor anteriores já reduziram o PIB europeu em até 1% em regiões do sul. Se os cinco anos mais quentes da última década se repetirem entre 2026 e 2030, França, Alemanha, Itália e Espanha podem acumular perdas de 5% a 7% do PIB.
  • Pelo menos 191 milhões de pessoas na Europa – quase um quarto da população de todo o continente – enfrentaram temperaturas acima dos 40°C no final de semana, em especial na Alemanha, Polônia, Hungria e República Tcheca. E na França, o calor extremo está relacionado a mais de 1.000 mortes no país em apenas três dias, segundo o Ministério da Saúde francês.

    A faixa etária mais afetada (85%) foi a das pessoas com 65 anos ou mais, relatam Folha, BBC e AP. As mortes aumentaram em hospitais, casas de repouso e particularmente em casa, com um acréscimo de 40%. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, destacou que o impacto da onda de calor pode durar até 10 dias após a diminuição das temperaturas.

    O calor extremo também afetou rios na Europa, reduzindo seu volume e aquecendo suas águas. Isso causou problemas para geração de energia elétrica e agricultura, informa a Reuters.

    As temperaturas na Europa aumentaram cerca de 0,56°C por década nos últimos 30 anos, mais do que o dobro da média global. Por isso, governos e empresas do continente estão tendo um vislumbre antecipado de quanto dinheiro será necessário para adaptar a vida cotidiana aos verões mais quentes. Segundo um relatório divulgado pelo gabinete do prefeito de Londres na semana passada, as ondas de calor de 2022 custaram cerca de US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões). Na ocasião, foi a primeira vez que a cidade registrou 40°C, lembra a Bloomberg.

    Uma análise da seguradora Allianz mostra que ondas de calor anteriores reduziram o PIB anual da Europa em até 0,5% e em mais de 1% em algumas regiões do sul. O evento atual pode ser ainda pior, informa o Financial Times.

    No médio prazo, caso os cinco anos mais quentes entre 2014 e 2024 se repitam sequencialmente entre 2026 e 2030, países como França, Alemanha, Itália e Espanha podem sofrer perdas cumulativas do PIB entre 5% e 7%. “Precisaremos fazer mudanças muito significativas em nosso modo de vida”, disse Ed Hawkins, cientista climático da Universidade de Reading.

    New York Times, Guardian e DW também repercutiram os impactos da atual onda de calor sobre o continente europeu.

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