Emissões das big techs disparam com crescimento descontrolado da IA

Além de consumirem enormes quantidades de eletricidade, data centers exigem grandes quantidades de concreto e aço para serem construídos.
2 de julho de 2026
emissões big techs ia
The Pancake of Heaven!, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Resumo
  • Emissões das big techs disparam com a IA: Amazon emitiu 81 milhões de toneladas de CO₂ em 2025, alta de 16% sobre 2024 e 58% acima de 2019. Google cresceu 18%, com cadeia de abastecimento subindo 25%. Meta e Microsoft já haviam reportado saltos de 64% e 23%, respectivamente.
  • Data centers têm “fome” de energia e materiais: além do consumo massivo de eletricidade, a construção dos centros de dados exige grandes quantidades de concreto e aço, alimentando uma onda de investimentos em infraestrutura de combustíveis fósseis nos EUA.
  • Metas de net zero cada vez mais distantes: "estamos numa crise climática e não deveríamos ter qualquer aumento nas emissões", alerta Sasha Luccioni, do Grupo de IA Sustentável. As big techs prometem net zero entre 2030 e 2040, mas seus números reais apontam na direção oposta.
  • As emissões de carbono de big techs como Amazon, Google, Meta e Microsoft aumentaram em 2025, distanciando cada vez mais as empresas de suas metas de emissão líquida zero. Motivo: o crescimento descontrolado da inteligência artificial.

    Segundo o Business Green, a Amazon, que tem como meta atingir o net zero até 2040, emitiu 81 milhões de toneladas de CO2equivalente em 2025. O volume é 16% maior do que o de 2024 e equivalente às emissões anuais de 19 milhões de carros movidos a gasolina – e mais do que as emissões de toda a frota brasileira de carros, de 77 milhões de tCO2e. Se comparado à 2019, o aumento é de 58%.

    Já as emissões do Google aumentaram 18% em 2025, no comparativo com o ano anterior. As emissões de Escopo 1 aumentaram 20%, e as emissões da sua cadeia de abastecimento cresceram 25% no mesmo período, detalha o edie. Microsoft e Meta ainda não divulgaram os números de 2025. Mas mesmo em seus relatórios publicados no ano passado, as duas big techs relataram saltos nas emissões de 23% e 64% em relação a 2024, respectivamente. A Meta estabeleceu uma meta de emissões líquidas zero para 2030 em toda a sua cadeia de valor.

    As big techs aderiram ao boom de construção de data centers, o que impactou suas emissões. Além das instalações consumirem enormes cargas de eletricidade, exigem grandes quantidades de concreto e aço para serem construídas. No território estadunidense, isso significa alimentar uma onda de investimentos em infraestrutura de combustíveis fósseis, detalha a Folha.

    “Estamos essencialmente numa crise climática e não deveríamos ter qualquer aumento nas emissões, sem dúvida. Ainda assim, os centros de dados estão indo na direção oposta”, disse à Bloomberg Sasha Luccioni, cofundadora e diretora científica do Grupo de IA Sustentável, que trabalha para medir e limitar o impacto ambiental do setor.

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