
Um estudo publicado na revista Ecological Monographs revela a importância de grandes mamíferos para a manutenção da fertilidade do solo da Mata Atlântica. A pesquisa foi realizada por integrantes do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima) da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Rio Claro.
Ao pisotear, urinar e defecar na terra, grandes mamíferos como antas, catetos, queixadas e veados acabam influenciando na ciclagem de nutrientes, alterando a química do solo e a diversidade da serrapilheira, a camada de folhas, galhos e frutos que cobre o solo das florestas. “O alumínio, que em altos níveis é prejudicial às plantas, foi reduzido onde havia maior presença de animais. Esse nutriente tem uma relação especial com o pH e o cálcio. O equilíbrio entre eles é necessário para uma maior fertilidade do solo”, explica Letícia Gonçalves Ribeiro, primeira autora do trabalho.
O experimento conduzido desde 2009 na Serra do Mar envolve áreas (parcelas) de 15 metros quadrados abertas para a livre passagem dos animais com outras onde o acesso é restrito por cercas instaladas pelos pesquisadores. As parcelas foram instaladas no Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo, no Vale do Ribeira, informa a Folha.
Assim, para analisar a relevância dos grandes mamíferos, os pesquisadores compararam amostras de solo e da serrapilheira de áreas onde os animais circulavam com aquelas que foram cercadas para eliminar temporariamente sua presença. Os resultados enfatizam a importância do grupo – muito visados pela caça ilegal e com populações em declínio – para a sobrevivência da Mata Atlântica a longo prazo, destaca a Agência FAPESP.
Em março, outro estudo do CBioClima indicou que a falta de grandes mamíferos leva a uma homogeneização da floresta, já que poucas espécies de plantas prosperam sem a presença dos animais.
Em tempo: O documentário "ANTA - o filme", dirigido por João Marcos Rosa, convida o público a conhecer o maior mamífero terrestre da América do Sul, destaca ((o))eco. A película celebra 30 anos da pesquisa liderada pela bióloga Patrícia Médici, que reuniu o maior banco de dados do mundo sobre antas. “Vivemos num país e num mundo que ainda sabe muito pouco sobre esse animal. Muita gente ainda se confunde, acha que a anta é uma capivara, um tamanduá, um porco. As pessoas têm que saber qual é a importância desse animal para a criação e manutenção de biodiversidade é chave", afirma Patrícia.



