Tribunal dos EUA rejeita pedido para flexibilizar emissões de térmicas a carvão

Decisão mantém em vigor padrão da era Biden sobre poluição proveniente de termelétricas a carvão, fábricas e outras fontes industriais.
2 de julho de 2026
termelétricas carvão Sul
CRM/Divulgação
Resumo
  • Tribunal barra flexibilização da poluição nos EUA: corte federal de apelações rejeitou por unanimidade o pedido da EPA de Trump para revogar os limites de poluição por fuligem estabelecidos por Biden em 2024. Os argumentos da agência foram considerados sem "mérito" pelos juízes.
  • O padrão que Trump queria enterrar: a norma reduz o limite de partículas finas no ar de 12 para 9 microgramas por metro cúbico. Segundo a EPA da era Biden, a medida evitaria 800 mil casos de asma, 2.000 hospitalizações e 4.500 mortes prematuras por ano.
  • Revés para a agenda do carvão: a decisão frustra mais uma tentativa de Trump de impulsionar o pior combustível fóssil em emissões. Ambientalistas celebraram: "Ar limpo não é um luxo", disse a Earthjustice.
  • Desta vez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se deu mal em sua empreitada para poluir ainda mais o planeta e agravar a crise climática. Na semana passada, um tribunal federal de apelações rejeitou a tentativa da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) de revogar os limites estabelecidos no governo de Joe Biden sobre a poluição por fuligem de termelétricas a carvão, fábricas e outras fontes industriais.

    A decisão unânime do tribunal de apelações dos EUA para o circuito do Distrito de Columbia mantém intacto, por enquanto, um padrão mais rigoroso estabelecido em 2024 sobre a poluição desses empreendimentos, informam AP, Guardian e Reuters. E representa um revés para a agenda de desregulamentação do governo do “agente laranja” e seus repetidos esforços para impulsionar o carvão – o pior dos combustíveis fósseis em emissões de gases de efeito estufa.

    Em 2025, primeiro ano do novo governo de Trump, a EPA solicitou ao tribunal de apelações a invalidação da norma da era Biden. O argumento foi que a agência havia excedido sua autoridade legal e agido de forma irracional ao não considerar os custos para as empresas afetadas pela norma. O tribunal, porém, negou o pedido, afirmando que os argumentos da EPA “carecem de mérito”.

    A norma estabelecida pela agência em 2024 define um nível de qualidade do ar que estados e condados devem atingir nos próximos anos para reduzir a poluição por partículas (fuligem) proveniente de usinas, veículos, instalações industriais e incêndios florestais. Foi estabelecido um limite anual de 9 microgramas de partículas finas poluentes por metro cúbico de ar – ante 12 microgramas estabelecidos há mais de uma década.

    Quando lançou a norma, a EPA afirmou que os limites mais rigorosos evitariam mais de 800.000 casos de sintomas de asma, 2.000 visitas a hospitais e 4.500 mortes prematuras. Já a agência sob a administração de Trump disse que a  regra custará “centenas de milhões, senão bilhões de dólares aos cidadãos estadunidenses se for implementada” e não foi baseada em uma revisão completa das evidências científicas disponíveis. Como se o “agente laranja” e seus asseclas respeitassem a ciência.

    Grupos ambientalistas saudaram a decisão como uma vitória para a saúde pública e uma repreensão ao atual administrador da EPA, Lee Zeldin. “Ar limpo não é um luxo. O padrão de fuligem de 2024 é um avanço crucial para a saúde pública, com previsão de salvar milhares de vidas todos os anos”, disse Patrice Simms, vice-presidente de comunidades saudáveis ​​da Earthjustice, organização de direito ambiental. “A EPA de Lee Zeldin precisa parar de ceder aos poluidores e, em vez disso, cumprir sua missão de proteger a saúde pública”, acrescentou.

    Continue lendo

    Assine Nossa Newsletter

    Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

    Em foco

    Aprenda mais sobre

    Justiça climática

    Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
    2 Aulas — 1h Total
    Iniciar