França e Bélgica estimam mais de 3.000 mortes por causa do calor extremo

Dois terços dos europeus - 410 milhões de pessoas - enfrentaram pelo menos uma vez temperaturas acima de 35°C entre 15 e 30 de junho.
5 de julho de 2026
frança bélgica calor extremo
Taylor Miles/ via Flickr
Resumo
  • Mais de 3.000 mortes na França e na Bélgica: a França registrou 2.025 mortes adicionais na semana mais quente, número provavelmente subestimado. A Bélgica contabilizou 1.222 óbitos a mais entre 18 e 29 de junho, 39% acima do esperado. Um nível de mortalidade inédito no país, disse o Ministério da Saúde belga.
  • Idosos são as principais vítimas: mais da metade dos mortos belgas tinham 85 anos ou mais. O padrão se repete em toda a Europa: França, Países Baixos e Espanha também registraram mortalidade concentrada entre pessoas idosas - os mais vulneráveis ao calor extremo.
  • Balanço parcial devastador: somando França, Bélgica, Espanha e Países Baixos, a onda de calor de junho já acumula mais de 4.700 mortes confirmadas, e os números seguem crescendo. Uma nova onda de calor deve atingir a Europa Ocidental ainda nesta semana.
  • O número de mortes por causa da onda de calor escaldante que assolou a Europa Ocidental até o início da semana passada continua aumentando. Na 6ª feira (3/7), a Bélgica divulgou a quantidade de mortos por causa das altas temperaturas, e a França atualizou seus números para cima. Isso diante da expectativa de que uma nova onda de calor atinja a região nesta semana.

    A Bélgica registrou 39% mais mortes que o esperado entre 18 e 29 de junho por causa das temperaturas extremas. Dados provisórios do Ministério da Saúde do país mostraram que houve 1.222 mortes a mais no período, e mais da metade dessas pessoas tinham 85 anos ou mais, informa a Euronews. “Esse nível de mortalidade excessiva durante uma onda de calor é inédito em nosso país”, afirmou o ministério em comunicado.

    Na França, o número de mortes registradas aumentou quase 30% na semana mais quente da onda de calor recorde, segundo o Guardian. E a expectativa é que a quantidade de fatalidades cresça ainda mais, já que inicialmente as autoridades francesas contabilizaram pouco mais de 1.000 mortos.

    A Saúde Pública da França informou na sexta-feira que houve 2.025 mortes adicionais em comparação com a semana anterior ao calor extremo. E frisou que o número provavelmente está subestimado.

    Na Espanha, dados oficiais divulgados na 4ª feira (1º/7) mostraram que o país registrou 1.029 mortes atribuíveis ao calor no mês passado. Foi o segundo junho mais quente já registrado no território espanhol. Até aquele momento já tinha sido o maior número de mortes por calor desde igual mês de 2015. E  mais que o dobro das 407 mortes pelo calor em junho de 2025 – o junho mais quente na Espanha desde que os registros começaram a ser feitos, em 1961.

    A onda de calor sem precedentes causou cerca de 480 mortes adicionais nos Países Baixos, informaram autoridades de saúde holandesas na 5ª feira (2/7). O excesso de mortes na semana de 22 a 28 de junho ocorreu principalmente entre pessoas com 80 anos ou mais. Os Países Baixos bateram recorde de temperatura para o mês de junho. Os termômetros chegaram a quase 40oC.

    A atualização do número de mortes pela onda de calor na Europa Ocidental também foi noticiada por Folha, Reuters, Euractiv, Wion e Politico.

    • Em tempo 1: A neve nas geleiras suíças desapareceu semanas antes do habitual neste verão no Hemisfério Norte devido à onda de calor da última semana, levando os Alpes a mais um ano de grande perda de gelo. Pesquisadores afirmam que, em 29 de junho, a geleira do Ródano, no sul da Suíça, atingiu o chamado "Dia da Perda da Geleira" - o momento em que a neve acumulada durante o inverno derrete e as geleiras começam a perder o gelo abaixo delas, explica a Reuters. Diretor do Serviço de Monitoramento de Geleiras da Suíça, Matthias Huss afirmou que ainda restam três meses este ano para o derretimento do gelo que levou décadas ou até séculos para se acumular.

      "Esta é realmente uma situação preocupante", disse.

    • Em tempo 2: Do outro lado do Atlântico Norte, a queima de combustíveis fósseis aqueceram o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, destaca a World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos. A previsão era de que uma onda de calor generalizada afetaria grande parte do centro e leste dos EUA durante o feriado de 4 de julho. Os maiores impactos eram esperados do Centro-Oeste até o Meio-Atlântico e Nordeste, com muitas grandes cidades, incluindo Chicago, Detroit, Washington, DC, Filadélfia e Nova York, sob alertas de calor.

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